Kobayashi procura resgatar a tradição japonesa na F1

Já está mais do que na hora de falar um pouco a respeito de Kamui Kobayashi, o novo e mais simpático, além de talentoso, japonês na história da F1. Fica claro que, como todos já se acostumaram, as pessoas não levam muito a sério os pilotos desse país na categoria. Satoru Nakajima, pai de Kazuki, que aliás já nem está na F1, andava mais na grama do que no asfalto. Todos os outros 20 pilotos que representaram a nação na F1, nunca foram muito destacados, a não ser o arrojado Takuma Sato(que acabou pagando por isso), mas que, infelizmente, também está fora da Fórmula 1.

Foi justamente no ano que os “japas” perdiam a grandiosa Honda e a já mediana Toyota que apareceu, “de repente”, esse piloto em questão: Kamui Kobayashi. “Koba” surgiu como um meteoro, mostrando que poderia ir além de seus conterrâneos. Mostrou que tem vontade e arrojo na estreia em Interlagos e talento em Abu Dhabi.  Marcou pontos – 6º – na sua segunda corrida e deixou claro que não tem medo de estrelas, ao superar o campeão Jenson Button, numa bela ultrapassagem nas fechadas curvas de Yas Marina.

Depois disso, ao ver a Toyota fechando as portas, de um momento para outro, assim como Trulli e Glock, Koba ficou sem lugar na F1. Mas um homem, muito inteligente e vendo naquele ser humano um talento reconhecível, o contratou para seu time, e sem lhe cobrar nada (algo difícil para a nova safra de pilotos na F1). Seu nome: Sauber, Peter Sauber. Porém, nestas 8 corridas passadas, o carro não havia possibilitado grandes apresentações e as costumeiras críticas começavam a aparecer.

Mas, no domingo passado, Kamui ressurgiu. Ultrapassou facilmente (dadas as condições), depois de fazer uma belíssima corrida em 3º lugar, dois carros em dois voltas, sendo que um deles era nada mais e nada menos que Fernando Alonso. Não é de hoje que o talento deste ótimo piloto foi descoberto, mas, infelizmente, ele passa pelo dilema que muitos outros por aí (para citar exemplos, Kubica, Sutil e etc)- não tem um carro que lhe dê chances de disputar vitórias.

E o caso de Kobayashi talvez seja um dos piores, porque o C29 é (na teoria e pelo que foi visto pelo menos até antes de Valência), o pior carro depois das “três do fundão”. Mas quando o piloto tem braço, ele se destaca, dependendo das proporções.

O que vimos de Kobayashi este final de semana foi uma prova de arrojo puro. Uma prova de quando o piloto não duvida e vai, mesmo que seja pela penúltima posição, para fazer uma ultrapassagem. Não hesito em dizer que estas eram as características de Takuma, na minha opinião o melhor japonês que já passou pela F1, e que já incomodou “muita gente”. Kamui, ainda jovem, pode ter um futuro brilhantes pela frente e com a missão mais importante: resgatar a tradição japonesa na F1.

Ele que recentemente deu uma entrevista a renomada revista de F1, a “F1 Racing”, declarou suas opiniões sobre o Japão na categoria máxima do automobilismo:

Nenhum piloto japonês chegou na F1 sem pagar ou com o apoio de uma marca como Honda ou Toyota. Se posso fazer um bom trabalho esse ano, “as pessoas da F1” começariam a olhar para os pilotos japoneses de um modo diferente e isso podia ajudá-los a chegar na Fórmula 1 sem pagar.

Sem dúvida, o talento de Kobayashi servirá de “portal” para muitos pilotos da terra do sol nascente que, ironicamente, procuram seu lugar ao sol na F1. Mas, primeiro, será importantíssimo que Kamui consiga um lugar em uma equipe de ponta. Pelo visto, ano que vem isso não será possível.

Será que Kobayashi apostaria, então, em um bom avanço da Sauber e continuaria com o time por mais anos ou se arriscaria mudar-se para uma equipe que lhe dê melhores condições de resultados em um futuro próximo?

15 respostas para “Kobayashi procura resgatar a tradição japonesa na F1”

  1. Até o início desse ano poucos conheciam o rosto deste japonês , agora , muitos o conhecem .
    O que mais impressionou foi que em poucos corridas ( duas ) ganhou muitos fãs .
    Kamui , já é um dos principais nomes da categoria .
    E nessa última corrida , todos falam das ultrapassagens , mas o ponto culminante de Kamui foi , principalmente , suportar até quase o final da corrida com os mesmo pneus da largada , isso pra mim foi muito mais importante do que as ultrapassagens .

    1. “E nessa última corrida , todos falam das ultrapassagens , mas o ponto culminante de Kamui foi , principalmente , suportar até quase o final da corrida com os mesmo pneus da largada , isso pra mim foi muito mais importante do que as ultrapassagens .”

      Verdade Marco…

  2. É parece que o Samurai japonês Koba é realmente bom, vamos esperar para ver se sai um campeão do Japão!

  3. Uma das características que mais me encantam no Koba-san é a sua firmeza e determinação ao realizar as suas poucas, mas já marcantes ultrapassagens. Ele as faz de uma maneira absolutamente segura e de uma forma limpa, com a classe e a qualidade de um experiente e talentoso veterano, não se intimidando diante de nenhuma estrela já consagrada. Também consegue andar com consistência durante as provas, acompanhando os líderes ou sendo um deles.

    Puro talento natural do primeiro japonês que vejo com reais possibilidades de se candidatar, dentro de mais algum tempo, a ser campeão mundial, desde que tenha a sorte de ter uma baratinha de ponta.

    Que os deuses do automobilismo o abençoem. Vai ser bom para nós torcedores também.

    saudações

    1. Realmente Celso.
      O mais importante e como Kamui diz a cada momento, é que as pessoas olhem para os pilotos japoneses com outros olhos.
      Se Koba crescer e se fundar como um piloto de ponta, acreditem, a terra do sol nascente vai tomar espaço na F1.
      Isso teria que acontecer com a Polônia, por exemplo.

  4. Ano passado pela Toyota eu já soltei a seguinte frase “Em um carro de ponta ele será campeão sem sombra de dúvidas”.

    O que ele fez em duas corridas com uma Toyota que não era um carro que sempre andava na frente, com certeza não é uma loucura o que eu disse e pode acontecer sim. Sempre quis ver um piloto japonês se dando bem na Fórmula 1. Na época do Takuma Sato eu gostava de ver como ele passava pelos pilotos, acho que alguns tinham até medo de disputar uma curva com ele rsrs, exceto o Montoya =D

    O Koba tem um grande futuro na Fórmula 1, vamos esperar o que nos espera pela frente, tanto quanto para ele.

    1. Takuma era muito bom… Mesmo.
      Pena que também nunca teve “aquele” carro em mãos, mas quando podia sempre tinha bons resultados.

      Inclusive foi em 2007 que ele ultrapassou (e por fora!) Alonso em um determinado GP do ano, se não me engano na Espanha, não tenho certeza.

      Pois é, Alonso não deve gostar dos japoneses… rsrsrs….

  5. Peter Sauber sobre Kamui e o C29:

    Assinar com um estreante sempre é um risco.
    No domingo, Kamui entregou a confirmação de que fizemos a decisão certa. Esses tipos de tempos de volta só são possíveis se piloto e carro forem rápidos, não há outro jeito.

    O C29 tem muito potencial, mas não é fácil para engenheiros e pilotos explorarem totalmente este potencial em todas as horas. Quando comparo nossa performance na classificação de Valência com os tempos de volta, não consigo trabalhar.

  6. Me digam se esse japinha não é gente boa…
    Pedaço do artigo do Formula UK:

    Vocês já repararam que o carro da Sauber, todo branco, conta agora com um patrocínio discreto do Burger King nas laterais, né? O que vocês não sabem – a não ser uns poucos fufeiros atentos que lêem os comentários – é que Kamui Koba-San teve de pagar um micão recentemente pelo bem de sua equipe.

    Nosso bravo samurai, dono da melhor atuação do GP da Europa, teve de visitar a cozinha de um Burger King e fazer alguns sanduíches para fins promocionais. Como bem disse o Pitpass.com, que publicou a pérola que exibo ao lado, Peter Sauber devia passar a pagar dez mais mais a Koba-San após o episódio.

  7. Kamui é um talento que ficou ano passado na cabeça de Button, que teve de brigar com o japones nos dois GPs finais…
    Kobayashi – muitos devem discordar mas – esta no nivel do Kubica e Sutil(imagino eu), o problema dos tres é o carro, ou melhor a falta dele. Renault, Force India e Sauber são três equipes intermediarias, que tem pilotos de ponta, ou seja, injustiça com esses otimos pilotos que nunca tiveram chance.
    Kobayshi foi um dos pilotos nesse GP que acabou sendo, digamos assim, injustiçado com essas leis ridiculas da FIA, pois eu tenho certeza que ele conseguiria ir até o fim com aqueles pneus, mas teve de colocar o macio no final da corrida.
    Quando esse cara estiver numa equipe pelo menos de nivel como o da Mercedes pode ter certeza que ele estara sempre disputando as primeiras posiçoes.

  8. Um piloto muito veloz, eficiente, voltou a dar espetáculo em Valência. Deixou para trocar pneus na parte final, além de contar com a sorte do safety car entrar na pista, garantindo assim um lugar na parte da frente. Ano passado, com a Toyota, fez bonito nas duas etapas finais, mostrando arrojo e velocidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s