O que há por trás do interesse no sucesso de Kobayashi na F1

Não é de hoje que se sabe do potencial e talento do jovem Kobayashi. Ele que, com míseras 18 corridas na Fórmula 1 já conquistou uma legião de fãs (e não apenas torcedores da terra do sol nascente) e algumas corridas incríveis, que mostraram ao mundo o seu inesgotável arrojo por buscar posições, já começa a cogitar, depois de uma temporada em sua maioria sofrível com o irregular C29, um respeito e consideração pela sua determinação em, dentro dos seus limites, ser o melhor.

Kamui ao mesmo tempo é dono de uma história de vida curiosa, que apesar de ter passado pelas categorias de aceso como Fórmula 3 Européia e GP2, ficou muito perto de voltar ao Japão e trabalhar no restaurante de sushi do pai, até porque sendo pilotos de testes da Toyota (que estava perto do seu fim em 2009), não teria a oportunidade de mostrar algopara algum chefe de equipe contratá-lo em 2010, isso porque, mesmo se a Toyota continuasse, certamente optaria por Trulli e Glock.

Mas como o destino ás vezes cruza nossas vidas, Koba teve a “sorte” de que Timo Glock machucou sua perna antes do GP do Brasil, e assim veio a notícia de que como Timo não correria, Kamui entraria no seu lugar nas duas corridas restantes. Dali em diante foram dois shows, um 9º e 6º lugar, com direito ao famoso “X” no campeão Button e os merecidos 3 pontos na última prova, em Yas Marina.

Mas o seu verdadeiro começo de carreira não viria se o valente Peter Sauber, que estava retomando as rédeas da Sauber, sem a BMW, o contratasse para ser seu piloto nesta temporada. Peter foi audaz, contratou ao mesmo tempo o experiente Pedro de la Rosa e compôs uma dupla que seria uma complementação de um “professor e aluno”.

Infelizmente a parceria não deu tão certo, principalmente pelo péssimo e irrelugar carro que o C29 mostrou ser, impossibilitando assim um desempenho mais razoável da dupla. Pedro sentiu mais as dificuldades, mas Koba soube administrar em certas ocasiõesos obstáculos e somar alguns pontinhos.

No fim das contas, essa pequena história de como Kobayashi entrou definitivamente na Fórmula 1 é uma forma de mostrar como um futuro atendente de restaurante de sushi no Japão se transformou na mais nova sesação da categoria. Peter acertou em escolhê-lo, e agora vê como colhe os frutos desta sensacional aliança.

Mas, como Peter mesmo já disse que Koba só está na F1 por causa de seu talento (os pais não o apoiaram nunca no automobilismo e ele não tem patrocinadores), não é apenas disso que se pode estabelecer com facilidade. Porém Kamui é um belo exemplo para os pilotos que tem que pagar e precisam de ajuda de empresas do seu país, contam com um carro melhor e mesmo assim não conseguem resultado melhores do que Koba, como, por exemplo, Petrov, que já anda na corda bamba na exigente Renault.

Claro que o próprio Sauber sabe que é necessário dinheiro para estabelecer uma boa equipe na F1 e por isso mesmo teve que abrir mão de uma parte do time, realizando uma boa parceria com Carlos Slim (supostamente o home mais rico do mundo) e a Telmex, que assim já impõe o jovem mexicano de 20 Sérgio Pérez como piloto titular para 2011. Nada melhor poderia sair para Peter, certo? Afinal, ele continua lapidando sua estrela Kobayashi, traz dinheiro para evoluir o futuro C30 e ainda quem sabe outra promessa, que se trata do já citado Pérez.

Bom, na verdade, poderia sim. Kobayashi já faz milagres com o carro da Sauber neste final de temporada e depois da impressionante corrida no Japão, em Suzuka, quando terminou em sétimo depois de ultrapassar duas vezes Alguersuari, além de Barrichello, Heidfeld e Sutil, é muito provável que traga os tímidos investidores japoneses (ainda com medo de apostar dinheiro depois da falência de Honda e Toyota com a crise econômica mundial) de uma vez por todas.

Monisha Kaltenborn, diretora-geral da Sauber, já anda elogiando Koba pelo paddock, a fim de atrair estes investidores:

Você quer que o piloto corra em seu país de origem com esse tipo de desempenho. Acho que ele fez um grande trabalho, porque ele tinha muita pressão vinda do público, e nós pudemos ver o tamanho da atenção da mídia que ele teve.
É a situação ideal para o mercado japonês. Entendemos as dificuldades econômicas, especialmente no Japão, mas esperamos que esse desempenho possa dar a ele o apoio necessário.
Quando você o vê fazer manobras de muito risco, por um minuto você fica preocupado e espera que tudo termine bem. Mas, por outro lado, você espera que ele lute. Nós esperamos que ele faça esse tipo de coisa – e ele é muito ousado.

Mas a esperança em patrocinadores já pode se transformar em realidade, afinal circula o boato pelo paddock que a Panasonic, empresa japonesa que foi a patrocinadora título da Toyota em sua estadia na F1 (e que Koba trabalhou no ano de 2009), estaria seriamente disposta a patrociná-lo na Sauber em 2011, e se comenta que diretores da Panasonic se reuniram com a Sauber e Kobayashi após o GP do Japão, dospostos á assinar contrato.

É mais uma ótima notícia para Sauber, que vê os frutos que a contratação de Kobayashi estão lhe dando.

Em meio a esta onda de sucesso de Kobayashi na Fórmula 1, vemos o real interesse que as suas atuações estão trazendo, tanto para o seu futuro como para o da Sauber, que certamente quer segurar Kamui até onde mais puder, afinal não demorará muito para que uma das grandes equipes se interesse em Koba.

Mas, quem sabe, se esta aliança Sauber-Kobayashi-Telmex-Panasonic der certo, Peter e Kamui façam uma dupla vitoriosa e de sucesso na F1? Talento certamente não falta…

9 comentários em “O que há por trás do interesse no sucesso de Kobayashi na F1

  1. Morei no Japão na época que o Senna corria, e os japoneses na falta de um ídolo eram torcedores fanáticos do nosso piloto, depois que Senna nos deixou eles ficaram orfãos assim como os brasileiros. Eles adoram a F-1, mas sempre ficavam decepcionados com seus pilotos, investiam milhões em pilotos duvidosos, apenas para ter o gostinho de ter um piloto japones competindo. Que ironia, um piloto sem grandes patrocinios e que ninguem apostava se tornou o melhor piloto da história do Japão. Para a F1 é muito bom, com crise ou sem crise, os japoneses tem muito dinheiro.

  2. Realmente seria grandioso se da aliança Sauber-Kobayashi-Telmex-Panasonic emergisse uma equipe que tenha condições de disputar o titulo de 2011, e dar de presente ao Koba e todos os seus fãs, um carro para disputar posições com Hamilton, Vettel, Alonso e Kubica. Uma disputa Hamilton vs Koba é algo que todo fã de automobilismo sonha.

    Abs

  3. Tomara, tomara, ele merece, Kobayashi é fera, meio loko, mas fera.

    E digo o mesmo: “Uma disputa Hamilton vs Koba é algo que todo fã de automobilismo sonha.”

    – Mas será que os dois não abandonam o GP?!… rs

    • Na última corrida tivemos esse duelo. O Hamilton fez a ultrapassagem sobre o talentoso japonês. Em Valência, Kamui também duelou com Alonso.

      É outro piloto que vem se tornando um bem necessário para a Fórmula 1, assim como Hamilton, Alonso, Vettel, Webber, Button e Kubica, e outros menos cotados. Rubinho é outro que incluo na lista.

      • hehehe… eu não fui claro em meu coment, o que eu quis dizer é: uma disputa com carros equiparados e disputando ponto a ponto o campeonato, e sem aquele papo de pneus novos(no caso de Alonso).

        Abs

  4. É um piloto como a muito tempo não vejo, por que a moda agora é o cara ser homen de gelo, ou dar ordens pelo rádio, que apareçam muitos Koba da vida e estes sempre terão minha torcida…..

    • Claudio

      É isso grande piloto esse Japa, Deus não quiera que não vá, nunca, para a McLaren para o obrigarem “save fuel mode” nem o companheiro de equipe “..ele não vai me passar pois não?..” ou então “crème de la crème” fazer estratégia para arruinar corrida do Campeão do Mundo e assim travar os da frente para um projecto-de-piloto se poder chegar na frente..
      Ox Alá nunca aconteça isso ao caro Japa

      Abraço

  5. Trocava já com o Massa, eu tb gosto muito do Sushiman, ele o Kubica e o Hamilton e talvez o Alonso são os pilotos q mais arriscam em ultrapassar.

  6. Esta dando show, mas tem que tomar cuidado, desse arrojo todo pode sair um acidente grave e aí sua moral pode ir abaixo, é muito novo no circo, em todo caso já merece uma equipe melhor! Com pneus moles novos é fácil passar(só o Rubinho mesmo para ficar cinco voltas atrás do Schumacher na HUN), não se iludam com Kubica em CIN e Koba no JPN, 80% das ultrapassagens se deve aos pneus, lembrou os anos 80 quando Piquet, Mansell e Prost fazia 2 paradas e Senna(época de Lotus) uma, no final eles iam “babando” ( pneus novos moles) para cima de Senna que tinha pneu duro bem gasto, na maioria das vezes Senna bem que tentava, mas não conseguia segurar a posição( Senna fazia o certo, essa era a única chance de se manter a frente, na mesma estratégia de pneus não tinha menor chance com Mclaren e Williams)! Essas estratégias de pneus moles novos no fim da corrida seria o máximo entres os ponteiros…tira uns 15, 20 segundos para depois tentar passar nas 3 últimas voltas, já devem ter percebido que tentar isso entre os ponteiros no momento é inviável, senão já tinham tentado…

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