O que há por trás da briga pelo nome “Team Lotus”

É uma história complexa, e bastante. Um assunto que, tendo em vista a final do mundial não é tido com todas as atenções, mas certamente é um tema que precisa ser analisado e pode vir a ser decisivo para muitos negócios que podemos presenciar em 2011. Vou tentar explicar da forma mais clara possível como o problema foi gerado e a suas possíveis soluções e/ou saídas:

Tony Fernandes é o personagem nº 1 desta história. Ele, nascido na Malásia, é o dono da companhia aérea Air Asia e da atual equipe Lotus, que detém os direitos recém-adquiridos do nome “Team Lotus”, a lendária equipe que foi campeã com Jim Clark, Graham Hill, Jochen Ridnt, Emerson Fittipaldi e Mario Andretti. Porém, agora, Tony se envolve em problemas judiciais para continuar com este nome para a temporada de Fórmula 1 de 2011, já que outras partes, por variados interesses, necessitam o Team Lotus para fecharem grandes e interessantes acordos que veremos logo depois.

A luta pela permanência do histórico nome que Tony mantém, em aliança, com David Hunt, filho do falecido campeão de F1 James Hunt, é contra a montadora malaia Proton (ou Group Lotus), que é controlada pelo governo da Malásia e quer esses direitos á todo custo. A Proton que nada mais é do que a Lotus Cars, a empresa que o Group Lotus, ou seja, a Proton, detém legalmente.

O problema está em que a Lotus Cars pertence, no fundo, ao governo malaio, e o próprio governo malaio investe, hoje, no time Lotus de Tony Fernandes, que possui a Air Asia. E Tony, para decepção de Hunt, estaria disposto a ceder o nome “Team Lotus” para a Proton. Assim, entra o tema da mudança de nome da Lotus de hoje para a “1Malaysia Racing” ou “Team Air Asia”, já que Tony continuaria como dono da equipe, que apenas contaria com outro nome (claro que deste modo todas as vantagens de ter o nome Team Lotus não existiriam), e Fernades trocaria os direitos por benefícios á sua companhia Aérea, que seriam convertidos em vantagens á Lotus de hoje ou á Malaysia Racing de amanhã.

Esta que seria a melhor saída para a Renault, que se meteu nesta história anunciando o seu fornecimento de motores para a Lotus e que negocia um acordo no mercado dos carros de passeio com a malaia Proton. Obviamente, ela não quer se envolver na briga política e jurídica entre Fernandes e o Group Lotus, dono da Proton e da Lotus cars. Mas este acordo comercial que a Renault mantém com a Proton traz uma outra parte do drama, que seria o interesse em que a Proton tem de adquirir uma parte da Scuderia Renault de F1, em meio de uma oferta, algo que os franceses aceitariam já que querem permanecer no circo apenas com o fornecimento de motores. Só que este precisa ser aprovado pela Genii Capital, que detém 75% de participação no projeto.

O interesse da Proton (Group Lotus) na compra dos 25% que a Renault mantém hoje é um dos grandes responsáveis dos desentendimentos desta história. Como Gerard Lopez, principal dirigente do grupo Genii, não contou com o apoio de Carlos Ghosn, presidente da Renault, para realizar investimentos no time e o grupo Genii não tem como bancar o projeto sozinho, as duas partes entraram em desacordo. E é ali que o Group Lotus entra, especialmente com Dany Bahar, CEO da Lotus Car, que está incumbido na missão, proclamada por um primeiro-ministro local da Malásia, de ressuscitar e expandir a marca “Lotus Cars”, que como já foi esclarecido aqui, é a empresa que o Group Lotus detém legalmente.

Desse modo, Bahar entraria como investidor do projeto e sua empresa (Lotus Cars) injetará € 60 milhões em três anos, como patrocinadora do time, e terá direito a participar do nome, Renault Lotus. O incômodo, no entanto, é que FOM e a FIA jamais permitiriam duas Lotus simultâneas no grid. O grande problema, no geral, acaba voltando ás mãos de Tony Fernades, que é pressionado pela própria Lotus Cars a abrir mão do nome “Team Lotus”. Nesse aspecto, Dany Bahar poderia sem problemas injetar os 60 milhões na Renault pois conseguiria, sem proibição da FIA, usar o nome Lotus junto ao da Renault em 2011.

Tony Fernandes, assim, estaria no seu Team Air Asia ou 1Malasya Racing sem mais problemas e poderia seguir sua saga na F1 sem incômodos com a Proton, mas depois teria que enfrentar á David Hunt, bravíssimo com a situação. Enquanto isso, a Renault se alia á Lotus Cars, que agora seria o mesmo que “Team Lotus”, muda de nome para Renault Lotus e a vida continua. Exceto, por uma coisa:

Como alguns puderam notar, a Renault neste momento está aliada a duas partes inimigas: A Proton, ou a Lotus Cars, como preferirem, em que negocia um acordo no mercado de carros de passeio, e com o Team Lotus de Tony, que já anunciou o fornecimento de motores para a próxima temporada. Obviamente a Renault não poderá ganhar nas duas partes e a bomba irá estourar- para que lado, não sabemos.

Ainda existe, longe no horizonte, outra possibilidade mais pacífica de acordo. Esta cogita que Fernandes quer do governo malaio um acordo que permita que ele siga gerenciando a equipe de F1, mantendo o Team Lotus independente da Proton e do Group Lotus, mas criando laços comerciais com o hoje inimigo, de forma que ambas trabalhem juntas pela promoção da marca “Lotus”. O problema é que Dani Bahar não quer essa possibilidade e não aceitará Fernandes como parceiro. E, assim, a Renault não teria os 60 milhões investidos para o projeto do ano que vem, que estariam por conta de Bahar e Lotus Cars, e sairia no prejuízo.

De todos os modos, é muito difícil que Tony saia vitorioso (ou seja, com os direitos do nome Team lotus) desta história. A chance maior, então, é que a atual Lotus passe a se chamar 1Malaysia Racing ou Team Air Asia e a Renault troque para Renault Lotus. Mas, no caso que vocês fosse Tony Fernades, o que fariam? Cederiam de uma vez o nome Team Lotus para a Proton ou continuariam a briga judicial pela manutenção do histórico nome para 2011? A seção de comentários está logo abaixo.

10 respostas para “O que há por trás da briga pelo nome “Team Lotus””

  1. Eu ficaria com o Team Lotus, é uma jogada de marketing e tanto, ainda mais com Bruno Senna correndo na equipe. Mas isso é automobilísticamente falando, porque se a companhia aérea de Tony obtiver maiores lucros com a cessão do nome, ele vai entregá-lo de mão beijada para a Proton.

  2. Caramba… Só para ter uma noção dos valores.

    € 60.000.000,00 = R$ 140.820.000,00
    1 € = R$ 2,347 (10/11/2010)

    Complexo… obviamente um acordo “pacífico” seria o ideal mas não sabemos em “detalhes” como os acordos foram feitos (ou acordos por baixo dos panos) que possibilitaram a criação da equipe inicialmente. Talvez por isso Tony não mantenha a marca, me lembro de ter visto isso no blog do James Allen no mês passado.

    Pessoalmente se eu fosse o Tony lutaria para manter a marca devido a iniciativa do próprio em montar a equipe de F-1, e pelo seu trabalho até o momento em busca de recursos e investimentos para torná-la competitiva. É o que eu acho…

  3. É o dinheiro falando mais alto. Essa é uma das razões pela qual, a FI deixou de ser um esporte e se tornou apenas um grande e rentavel negocio, vamos torcer para o Brasil continuar sendo a menina dos olhos dos mercados mundiais, e logo teremos um campeão mundial de FI. Claro, assim, que uma grande empresa brasileira resolver torrar alguns milhões de dolares em alguma equipe e apoiar algum piloto da terra.

  4. Acho dificil Tony abrir mão da marca Team Lotus, até porque ele já está anunciando que o carro do ano que vem terá as tão amadas cores preto e dourado, Senna como piloto e motores Renault, ou seja uma reedição de uma “parceria” histórica. Se Tony Fernandes passar o nome para a Proton ele estará perdendo todo o seu potencial de angariar fundos para o seu projeto através do marketing e dos fãs da antiga Lotus. Até porque se a Renault mudar para Renault Lotus todo mundo vai continuar chamando a equipe somente de “Renault”, ou seja, o nome Lotus vai desaparecer novamente da F1. Definitivamente um tiro no pé das duas partes.

  5. Mas parece que uma solução para as jogadas de Marketing ele já encontrou: com Bruno Senna correndo, o carro será pintado de preto e dourado. Mesmo sem o nome já será feita uma grande associação ao time original.

  6. A grana vai ganhar a história. Pelo menos o trabalho do Tony vai continuar, isso que importa, aí o Bruno Senna corre lá em 2011 tranquilamente, independente do nome da equipe. Se bem que com o nome Lotus seria muito mais interessante pro marketing.

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