Sauber: E se não fosse Kobayashi…

A Sauber teve, em seu ano de volta a Fórmula 1, o o melhor piloto “rookie” da temporada: Kamui Kobayashi. Talvez Koba tenha sido o maior responsável pelo repentino sucesso da equipe, dadas as devidas proporções, em coletar alguns pontos a mais do que era esperado. Kobayashi foi a estrela, o homem que está levando a Sauber para escalões mais altos dos que Peter Sauber está acostumado.

Claro que talvez não tenha sido o ano que Peter esperava (apenas o oitavo lugar no campeonato de construtores), mas é necessário ver que, dos 44 pontos que a equipe somou ao longo das 19 corridas, 32 foram por parte de Koba.

Mas no geral a equipe não teve um ano fácil. Sofrendo muito com os problemas de confiabilidade, o primeiro ponto só chegou na sétima etapa, com um suado décimo lugar de Kobayashi em Istambul. Apartir daquele momento os resultados melhoraram, sendo que nas 12 etapas que vieram depois de Turquia, os pontos foram alcançados em 7 ocasiões. E na Hungria, Japão e Coréia, a Sauber logrou colocar seus dois carros na zona de pontuação.

Isso também foi resultado da contratação do engenheiro James Key, ex-Force India, que elevou o nível da Sauber a partir da segunda metade da temporada.

O topo conquistado com um sexto lugar em Silverstone por parte de Kobayashi, onde somou 8 pontos para os suíços. Outro marco para o time foi apartir do GP de Cingapura, onde Nick Heifeld entrava no lugar de Pedro de La Rosa até o final da temporada, conquistando 6 pontos, a mesma quantidade que Pedro somou nas corridas que participou.

O carro:


A Sauber foi uma das equipes a participar de toda a pré-temporada inteira, pelo fato de ter apresentado seu carro em Valência no dia 31 de janeiro, um antes do iniício da atividades, assim como fará em 2011.

Mas todos os dados acumulados nos dias de preparação não foram suficientes para que o projeto fosse competitivo desde o começo. O C29 sofreu de muitos problemas de confiabilidade nas primeiras corridas do mundial, o que causaram um mal-estar enorme da equipe de Hinwill- completar uma corrida era um desafio. Tanto que, por muito tempo, a Sauber teve menos número de voltas completadas do que as novatas.

O quadro começou a mudar ao longo do tempo, com uma evolução já programada onde o carro era modificado, inclusive com a adição da asa-duto. A saída de Willi Rampf e a chegada de James Key, que saia da Force India, foram melhores do que esperadas e esse é um dos motivos da melhora da equipe. Passaram de 7 pontos nas 9 primeiras etapas a 44 nas 10 seguintes, o que totalizava um acréscimo de 37 unidades em uma comparação.

Estatísticas:

  • Pontos: 44 (12 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 8º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 9º, De La Rosa (Inglaterra e Hungria) e Kobayashi (Malásia)
  • Melhor posição de chegada: 6º, Kobayashi (Inglaterra)

Kobayashi vs. De La Rosa vs. Heidfeld:


A Sauber foi a única equipe, junto com a Hispania, a modificar a sua dupla de pilotos original desde o início da temporada, com a substituição do espanhol Pedro de La Rosa pela alemão Nick Heifeld, a partir do GP de Cingapura.

No que se diz respeito a disputa entre Pedro e Kamui, apesar de não parecer, a disputa foi equilibrada. de La Rosa foi basicamente a base do projeto do C29, que, aliada a sua experiência como test-driver da Mclaren, fizeram Peter Sauber optar pela sua contratação.

No duelo de treinos classificatórios, nas 14 corridas que dividiram juntos, deu empate: 7 a 7. Ambos também não passaram do 9º lugar no grid, mas Pedro conseguiu se estabelecer nessa posição duas vezes, em Silverstone e Hungaroring, enquanto Kobayashi logrou apenas uma vez, em Sepang.

Porém, no quesito pontos Kamui foi supremo: 21 unidades contra 6 de Pedro, fruto apenas de uma sétima colocação no GP da Hungria. Mas vale lembrar, também, que nas oito primeiras corridas do ano, Kobayashi e De La Rosa chegaram ao final em apenas duas delas. Esses péssimos números foram culpa, em grande parte, da falta de confiabilidade no carro e de alguns acidentes.

Depois, com a repentina saída de De La Rosa da equipe após o GP da Itália, Nick Heidfeld, até então piloto de testes do desenvolvimento técnico dos pneus Pirelli, aceitou o desafio de preencher a vaga nas 5 corridas finais. E não decepcionou, pois apesar de ter levado 4×1 em qualifyngs de Kobayashi e não ter passado ao Q3, pontuou em dois GPs e fechou o ano com 6 pontos, mesma quantidade que De La Rosa havia logrado em 14 corridas.

Estatísticas, Kamui Kobayashi:

  • Pontos: 32 (9 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 12º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 9º, Malásia
  • Melhor posição de chegada: 6º, Inglaterra

Estatísticas, Pedro de La Rosa:

  • Pontos: 6 (2 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 17º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 9º, Inglaterra e Hungria
  • Melhor posição de chegada: 7º, Hungria

Estatísticas, Nick Heidfeld:

  • Pontos: 6 (1 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 18º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 11º, Japão
  • Melhor posição de chegada: 8º, Japão

Conclusão:

Depois de um início difícil, a Sauber (que já a partir de 2011 não carregará mais o nome BMW) conseguiu se recuperar e somar pontos, especialmente com sua estrela Kobayashi, que precisa ser cuidada para 2011. Terá agora o apoio da Telmex, comandada pelo homem mais rico do mundo, Carlos Slim, e que traz o novato Sérgio Perez, mexicano, no segundo cokpit do time de Hinwill para o próximo ano.

A esperança é que com este dinheiro e a experiência acumulada a Sauber progrida ainda mais, sendo mais confiável e chegando à zona de pontos mais constantemente. Inclusive já anunciou a data de estreia do C30: 31 de janeiro, o que dará a oportunidade de testar a pré-temporada inteira.

Os esforços certamente estarão focados em Kobayashi, um dos mais novos talentos da F1 atual. Baseando nisso, pergunto: Acreditam que Koba possa ser mais constante e até, quem sabe, beliscar um pódio e 2011?

30 comentários em “Sauber: E se não fosse Kobayashi…

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  2. Pedro de la Rosa, com a experiência de piloto de testes, contribui no acerto de ajustes do carro. Nick Heidfeld é um bom piloto, fez boas campanhas na BMW, mas não consegue espaço na Fórmula 1, até por que há poucas vagas disponíveis. Já Kamui Kobayashi, com atuações destacadas em duas corridas, pela Toyota, mostrou serviço e fez umbom trabalho no time de Peter Sauber neste ano, fazendo corridas boas e ótimas ultrapassagens, cometendo poucos erros. O japonês promete.

    • de La Rosa talvez seja um dos pilotos mais injustiçados do grid. Ter ficado piloto de testes na McLaren possa ter sido um erro. Conseguiu voltar pela Sauber, mas depois de demitido e ainda ser tratado de inferior a Heidfeld foi humilhante.

  3. Kamui tem um incontestável talento na pista, resta saber se possui habilidades necessárias para que consiga desenvolver um carro que chegue mais próximo ao pelotão da frente, mas acredito que com James Key desde o ínicio do projeto C30, Koba consiga beliscar um ou dois pódios em corridas adversas

    • “resta saber se possui habilidades necessárias para que consiga desenvolver um carro que chegue mais próximo ao pelotão da frente”.

      Não sei se ele, com apenas 21 corridas no currículo, possa desenvolver um carro ou ser base de um projeto, papel que de La Rosa ocupou no começo desse ano. No outro cokpit temos Perez, que obviamente como estreante não deve agregar muito.

      Creio que esse seja um dos pontos fracos a Sauber para 2011, mas James Key deve equilibrar a balança, pelo menos é o que se espera.

  4. Um novato pode correr sem pressão e até errar porque é um novato. Ou correr com a pressão de ter que provar resultados que lhe façam merecer a vaga.

    Eu gosto muito do Koba porque ele tem um espírito que os antigos pilotos de tinham, de partir pra cima. Se o cara tem 1% de chances de passar, ele tem que colocar de lado, olhar para o cara do lado e dizer com os olhos: “estou aqui e quero te passar, se voce dificultar a gente vai bater”. Eu gosto disso.

    Eu duvido que se fosse na F-Indy o Alonso ficaria a corrida toda atras do Petrov por todas aquelas voltas esperando que o Petrov “abrisse” passagem. É ruim.
    Na Indy os caras têm pouca paciencia e eu gosto disso e os norte-americanos gostam muito disso. Se bater, dá bandeira amarela, junta tudo de novo (que significa mais disputa) e vamos partir pra cima.

    Eu gosto muito da Indy, mesmo com as transmissões que a Band faz (ou não faz) para o Brasil…

    • Realmente a Indy seria muito legal, não fosse a maldita bandeira amarela. Para ter uma idéia eu dormi durante a corrida em São Paulo e quando acordei a corrida já havia acabado. Bandeira amarela da sono, principalmente na Indy, onde as bandeira duram tempo demais.

      • Sinceramente não acompanho tanto a Indy, mas pelo visto muitas vezes é mais atrativa do que a F1, especialmente quando temos corridas no Bahrein ou Abu Dhabi.

    • Inclusive Kobayashi disse que consegue passar pois não vê os rivais. Hilário.
      Realmente penso que Kamui tem características como a de Hamilton, bastante arrojado e talentoso. Só não tem o apoio da McLaren desde criança.

      • Não Tomás, as corridas no Barein são um pouco mais divertidas do que a Indy. Toda vez que a corrida é durante a noite eu durmo, sentado. É cansativo, principalmente nas bandeiras amarelas, como disse o Newton.

  5. Tomas, eu acredito que Shushiman tem capacidade para liderar o projecto, essa do piloto de testes e tal dar mais informação… até pode ser verdade.
    Mas a velocidade é tudo, e sem velocidade não dá para nada!
    O barrichello se não tivesse velocidade também já lá não andava, e o Pedro nunca teve velocidade.
    E à vários por ai que não passam de pilotos de teste porque simplesmente não tem velocidade, e a diferença entre os 2 devia ser muita, a telemetria devia dizer isso, por isso foi para lá o nico que até se portou bem, e marcou pontos.

    • Velocidade ele tem sem dúvidas Jonas, acho que isso nem entra em discussão.
      Mas uma coisa é ter velocidade e outra é ter experiência e conhecimento para ser base de um projeto.

  6. Nossa, após a estreia dele na Toyota em 2009, fiquei na torcida para q fosse titular em 2010. E como foi; e se a Sauber teve algum sucesso nesse seu retorno, é graças ao Kobayashi; e ano q vêm ele esta ai!

    • E ter Kobayashi no grid hoje é mesmo graças a Peter Sauber que apostou na sua contratação e não em pilotos pagantes. Grande sacada de Peter.

  7. Resta saber até quando Kobayashi vai dar show, Takuma Sato também foi bem no início, depois, pouco fez…

    Aparentemente Kobayashi parece ser mais talentoso, mas é aquela coisa, não corre com pressão para vencer, pode atacar mais! O jeito é esperar e torcer para que Kobayashi seja a promessa que tanto o Japão espera, quem sabe consegue uma vaga de segundo piloto em equipe de ponta, aí dá para se destacar mais, esperar pra ver…

    • Acho difícil ver Kobayashi em uma equipe de ponta em 2012, principalmente por ele ser japonês e não ter patrocínios. Não será um caminho fácil.

    • Sato até hoje é o que obteve resultados mais expressivos para o Japão, mas ainda vejo uma imensa diferença de habilidade e talento a favor de Koba, seu carisma e ultrapassagens as vezes ofuscam outras caracteristicas interessantes como sua consistencia(Valencia e Japão foram marcados por suas ultrapassagens, mas só foi possivel por uma sequência de voltas sólidas durante longos trechos com pneu duro).
      Discordo com relação a pressão, no grid ele era talvez um dos mais mal patrocinados, sua única chance era mostrar no braço que merecia um 2011 na F1, caso contrário, seria uma passagem só de ida para o restaurante de sushi ou talvez um palco de comédia stand-up, e isso pra mim é pressão demais, veja Petrov, mesmo bem patrocinado e sendo novato foi pressionadíssimo e ainda não tem vaga garantida.

      • Exatamente Alex, mas como digo, ver Koba hoje no grid se deve muito à Peter Sauber, que optou pela sua escolha em 2010 e arriscou, sabendo que tinha talento e rapidez. Acertou e agora colhe os frutos, e não tenho dúvidas que se a Sauber projetar um carro, pelo menos, mais confiável em 2011, Kamui será presença constante na zona de pontuação.

      • “… sua única chance era mostrar no braço que merecia um 2011 na F1, caso contrário, seria uma passagem só de ida para o restaurante de sushi ou talvez um palco de comédia stand-up…”
        kkkkkkkkkkkkkkkkk, Fazer show de comédia hahahahahahahaha.

  8. Se compararmos o C29 com o carro da BMW em 2009, a equipe melhorou muito, mas de nada adianta melhorar tanto, e ter um carro nem um pouco confiavel. Mesmo assim Koba andou muito bem, pelo carro que tem, foi bem. Na disputa com De la Rosa, ele foi bem melhor, mas as vezes ficava atrás de Heidfeld, que também foi bem.
    Uma equipe que precisa melhorar, mas parece estar no caminho certo, imagino eu.

  9. Se não fosse o Kobayashi, a Sauber estaria com problemas para o ano que vem. Sem contar que deu um show a parte nos companheiros no quesito pontos.

      • E Kobayashi deve agradecer Peter por ter salvado a equipe, quase que um talento desses é disperdiçado em uma loja de sushi.

      • Exato, e agradecer pela sua contratação. Ainda falta agradecer por um bom carro…

  10. Pingback: Red Bull: Finalmente campeã! « Blog Fórmula 1

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