Force India- Nocauteada pelos problemas

A Force India completou a sua terceira temporada na F1 com o melhor aproveitamento em pontos: 68. Isso porque, passando ao sistema de pontos atual, em 2008 a equipe teria feito um pontinho e no ano passado, 36. Este ano essa quantia quase dobrou, mas o time poderia ter ido muito mais longe se não fossem alguns problemas que podem ser prejudiciais em 2011.

O primeiro deles, e que ainda é, trata-se de dívidas e julgamentos. Entre esses problemas, existe a briga judicial entre Force India e a Aerolab. Esta que trabalhou com os indianos durante três anos, sendo o primeiro ainda sob o nome de Spyker. Mas a parceira foi rompida em setembro de 2009, e aconteceu que, ainda nesse mês, foi anunciada uma parceira entre Lotus e Aerolab para auxiliar no desenvolvimento aerodinâmico dos carros da nova equipe.

E o homem por trás disso é justamente Mike Gascoyne, ex-diretor técnico da Force India e atual Lotus. Vijay Mallya, dono da Force India, entrou em uma ação acusando Mike Gascoyne, Lotus e Aerolab de roubo de propriedade intelectual.

Só que a Force perdeu o julgamento, e teve que pagar 1.074.730 euros, fora as taxas. Ainda, para somar as dívidas do time, a equipe teve que tirar do bolso 3 milhões de euros para o espanhol Roldán Rodríguez, que teria direito a ser titular em 2008, coisa que não ocorreu.

Mas ainda não acabou: Giedo van der Garde, piloto holandês, entrou em processo contra a Force India. A ação se refere ao tempo em que a equipe ainda corria sob o nome de Spyker: em 2006, Giedo tinha garantido pelo contrato o direito de percorrer nada menos do que 6000 km em testes. Só que terminou não cumprindo sequer metade disso. Mais 2 milhões de euros.

Tudo isto acabou sendo um golpe duro na equipe que vinha crescendo na temporada. James Key, ex-diretor técnico e projetista do VJM03, deixou a equipe em abril para mudar-se a Sauber. Apenas 4 meses depois, o recém-chegado Mark Smith também abandona o time, indo para a… Lotus.

Isso sem contar as mudanças de Lewis Butler (chefe de desing) e Marianne Hinson (chefe de aerodinâmica), para a equipe malaia.

O resultado de todas estas trocas desmoralizaram a Force India. Só para termos uma ideia: Nas 10 primeiras corridas do mundial, foram somados 47 pontos, e pelo menos um carro da equipe completou entre os 10 primeiros em nove. E, nas 9 que sucederam, foram apenas 21 pontos, conseguidos em apenas 3 corridas- ou seja, foram 6 GPs em branco.

Acabou custando o que seria com sobras a sexta colocação do mundial de construtores por um mísero ponto para a Williams…

O carro:

O VJM03 segue claramente os riscos do seu antecessor de 2009, que rendeu uma Pole Position, e um 2º e 4º lugares, como resultados de destaque. Neste ano o retrospecto não foi assim, claramente pelos motivos explicados acima.

Mas o carro projetado, inicialmente, por James Key, rendeu bons frutos na primeira metade da temporada, figurando 8 vezes no Q3 da classificação e chegando a um ótimo 4º lugar no grid com Sutil, no confuso treino do GP da Malásia.

Obviamente, seu avanço foi nocauteado pelos incontáveis problemas nos tribunais, e isso foi claro nos resultados pós-Silverstone, como já vimos poucos antes. Essa tese é comprovada, em parte, pois depois da corrida inglesa, vimos um Force India no Q3 uma mísera vez.

Mesmo assim, foi possível acoplar a asa duto e novo escapamento, que foram as últimas forças gastas no avanço técnico do carro.

Estatísticas:

  • Pontos: 68 (20 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 7º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 4º, Sutil (Malásia)
  • Melhor posição de chegada: 5º, Sutil (Malásia e Bélgica)

Sutil vs. Liuzzi:


Adrian Sutil provou que realmente é um piloto de nível a marcar mais que o dobro de pontos do que o colega de equipe Liuzzi e massacrá-lo em 15 a 4 na disputa de posições de largada. Foi mais constante do que o italiano em corridas e, acima de tudo, conseguiu efetivar seu talento em um carro que foi decaindo ao longo da temporada.

Apesar disso, a queda foi inevitável. Sutil fechou o ano em baixa, não podendo passar ao Q3 nas últimas 6 corridas e completando fora dos pontos nas quatro finais.

Porém foi Liuzzi quem se prejudicou mais com a perda de rendimento do VJM03, não passando da 16º colocação no grid a partir de Monza. Os pontos vieram, nessa fase, apenas no confuso GP da Coréia com um milagroso 6º lugar, onde uma série de carros abandonaram a sua frente.

No fim de contas, Adrian Sutil foi o grande vencedor da batalha interna, anotando os melhores resultados da Force India em 2010.

Estatísticas, Adrian Sutil:

  • Pontos: 47 (15 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 11º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 4º, Malásia
  • Melhor posição de chegada: 5º, Malásia e Bélgica

Estatísticas, Vitantonio Liuzzi:

  • Pontos: 21 (5 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 15º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 5º, Canadá
  • Melhor posição de chegada: 6º, Coréia

Conclusão:

A Force India realmente pode (e deve) comemorar o melhor campeonato de sua curta história, mas logo a volta à realidade é inevitável. Apesar dos bons resultados na primeira metade da temporada, os problemas financeiros e judiciais foram desastrosos para o avanço da equipe e isso deverá se refletir no VJM04, o carro dos indianos em 2011.

Fica claro que o problema é falta de dinheiro e as dívidas assombram Vijay Mallya, e desenvolver outro projeto após uma reestruturação forçada em andamento será complicadíssimo.

Além disto, existem as vagas ainda não preenchidas da dupla de piloto para o próximo ano. Adrian Sutil e o escocês Paul di Resta, recente campeão da DTM 2010, são os “naturais” favoritos. Mas Liuzzi está protegido por uma cláusula contratual e pelo Contract Recognition Board. Assim, se no caso Mallya quisesse terminar o contrato com o italiano, teria que pagar a multa recissória. Seria mais uma dor de cabeça e um gasto, mas que poderia ser evitado com uma futura permanência de Liuzzi na equipe.

Até o momento tudo está dentro de uma grande nebulosa, e que promete ser indecifrável, no mínimo, até o fim deste mês.

Concluindo, fica claro que o ano de 2011 não será fácil para a Force India e talvez os resultados não sejam positivos como se esperam, pelo menos não como na primeira metade da temporada que passou…

9 comentários em “Force India- Nocauteada pelos problemas

  1. Tomás,

    O time se perdeu no meio do campeonato, por vários motivos que vc já elencou.
    Penso que poderia ter conseguido mais, caso tivesse um piloto melhor que esse Luizzi, mesmo com todos os problemas.

    abs

    • Exato Marcelo, e na verdade Liuzzi chegou no improviso em 2009 com a repentina ida de Fisichella à Ferrari depois do acidente de Massa. Mas ele acabou ficando como titular, mas não convenceu.

  2. O carro começou muito bem, mas depois desses problemas (que eu não sabia ser tantos) eles cairam muito, disputando posições com a STR e a Sauber. Sutil tem um inegavel talento, e mostrou isso esse ano detonando Liuzzi, que já deu o que tinha que dar.
    Para 2011, com tantos problemas acho que eles ficam mais pra trás. Isso justamente no ano de estréia do GP da India…

  3. É uma pena que uma equipe como a Lotus esteja sofrendo problemas financeiros.

  4. Pingback: Red Bull: Finalmente campeã! « Blog Fórmula 1

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