Renault: Kubica foi a estrela no ano da despedida

A Renault está finalizando (outra vez) o seu ciclo na Fórmula 1. Este retorno que durou 9 temporadas e rendeu dois títulos mundiais de pilotos e equipes e 21 vitórias, termina com a venda dos 25% que a Renault ainda possuía de parte dentro da equipe- O resto já tinha sido vendido para a Genii Capital.

Agora o negócio foi completado com a Lotus Cars, e neste momento a Renault se desintegra oficialmente como equipe de Fórmula 1, apesar de ainda fazer parte do nome “Lotus Renault” em 2011 e, claro, (onde se encontra o maior benefício), ser fornecedora de motores para a própria e para a campeã Red Bull. Apesar disso, o departamento técnico continuará o mesmo em Enstone.

Aliás, o campeonato dos propulsores franceses na equipe dos touros é um grande marco, consagrando o terceiro título neste período de quase uma década com os motores.

No que se refere a temporada de despedida, Robert Kubica foi a grande estrela, realizando um campeonato além das expectativas pelo carro que tinha em mãos, marcando três pódios e na oitava colocação do campeonato de pilotos, apenas 8 pontos atrás da Ferrari de Massa.

O que foi resultado de uma grande reestruturação na equipe, com a saída de Alonso (para a Ferrari) e a expulsão de Flavio Briatore e Pat Symonds pelas falcatruas do GP de Cingapura em 2008. Vieram, assim, Kubica e o novato Petrov, catapultado pelos patrocínios russos, que marcou história ao ser o primeiro piloto da Rússia a entrar na Fórmula 1.

Aliado a isto, a entrada do novo chefe de equipe, Eric Boullier, susbstituindo Bob Bell, que retorna à sua antiga função de diretor técnico. Assim, com novos ares, o sucesso foi conquistado, reerguendo a estrutura, e somando (revertendo ao sistema de pontuação usado até 2009) 61 pontos, contra os míseros 26 da temporada anterior. Só Kubica somou o dobro de pontos do que Alonso conseguiu no ano passado.

O carro:


O belo carro projetado por James Allison foi altamente superior ao fraquíssimo R29, pilotado por Alonso, Nelsinho e Grosjean em 2009. Bem nascido, se posicionou com a 5ª força entre as equipes, e só não terminou à frente da Mercedes no campeonato de construtores por Kubica não tinha um piloto a sua altura como companheiro.

Mesmo assim, os três pódios marcados por Robert mostrar a grande evolução da equipe, e a adaptação do carro em pistas travadas: Kubica foi terceiro em Mônaco, 5º em Valência e Abu Dhabi, além de Petrov ter sido 5º em Hungaroring e o marcante sexto lugar na última corrida do ano quando teve Alonso atrás por grande parte da corrida.

Isso foi graças, a grande parte, pela velocidade nas retas do R30, catapultada pela estreia da asa duto em Spa, onde Kubica chegou ao pódio e Petrov pontuou.

Estatísticas:

  • Pontos: 163 (61 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 3
  • Posição no campeonato: 5º
  • Voltas mais rápidas: 2
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 2º, Kubica (Mônaco)
  • Melhor posição de chegada: 2º, Kubica (Austrália)

Kubica vs. Petrov


Kubica aplicou um categórico banho no estreante russo- massacre em classificações, estando 17 oportunidades a frente de Vitaly e colocando um caminhão de pontos entre os dois no campeonato: 109, a maior diferente entre companheiros de equipe na temporada. Na verdade, fez seu dever.

Foi técnico e evolui, sempre extraindo o máximo do carro e marcando três pódios, em Albert Park, Monte Carlo e Spa-Francorchamps. Inclusive poderíamos dizer que em Mônaco Robert foi além das expectativas, partindo da primeira fila (2º lugar) e completando em terceiro, não conseguindo com seu R30 superar os imbatíveis RB6 de Webber e Vettel.

Registrou seu melhor resultado na fenomenal corrida na Austrália, uma das melhores da temporada onde Jenson Button venceu em uma pura decisão estratégia- se tivesse errado, lá estaria Kubica pronto para vencer sua segunda prova na Fórmula 1. Terminou oitavo na tabela com injustiça, pois quebras como a de Silverstone, a patética batida nos boxes com Sutil na Hungria e um dramático acidente no Japão, quando ia em um ótimo ritmo e perdeu a roda.

Curiosamente, as únicas três corridas onde não chegou até o fim. Chegou ao Q3 em 18 oportunidades  e pontuou em 15 das 16 provas que completou, sendo que esta que não marcou pontos (a primeira, no Bahrein), foi porque rodou na largada, e mesmo assim chegou em 11º. Realmente uma consistência impecável e pilotagem precisa. Era para ter sido 6º na tabela geral com sobras.

Já Petrov foi pouco mais que uma sombra de Kubica, cometendo erros que não agradaram Boullier e não mostrando o serviço que o chefe esperava. Apesar dos pontos negativos, diríamos que Vitaly fez um ano razoável, porém um pouco abaixo da média.

Nos seus destaques, é impossível não mencionar os GP da Hungria e Abu Dhabi. Em Hungaroring Petrov foi pela primeira vez mais veloz do que Kubica no Qualifyng, superando o polonês no braço por menos de um décimo. Foi ali que também anotou seu melhor resultado na temporada, um 5º lugar.

E em Abu Dhabi fez outra corrida brilhante. No sábado, foi superior a Kubica (novamente no braço) e o tirou, por 0.122, do Q3. Foi a única ausência de Robert na última parte da classificação em toda a temporada. Na corrida, apesar de ter finalizado uma posição trás do companheiro, realizou uma corrida histórica e que não deve ser esquecida tão facilmente para os espanhóis, onde segurou o bravíssimo Alonso durante uma grande parte do GP, até o final e se consagrou como o novo carrasco para a Espanha.

Ainda não tem a permanência na Renault assegurada, mas tudo indica para sua renovação, até porque essa é a vontade da Lotus Cars.

Estatísticas, Robert Kubica:

  • Pontos: 136 (52 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 3
  • Posição no campeonato: 8º
  • Voltas mais rápidas: 1
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 2º, Mônaco
  • Melhor posição de chegada: 2º, Austrália

Estatísticas, Vitaly Petrov:

  • Pontos: 27 (9 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 13º
  • Voltas mais rápidas: 1
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 7º, Hungria
  • Melhor posição de chegada: 5º, Hungria

Conclusão:

A Renault vem em fase de grande desenvolvimento e, com a recém-confirmada parceria com a Lotus Cars, de onde virão 60 milhões de euros em três anos por parte de Dany Bahar, o R31 promete ser um carro com nível superior ao R30. Em Enstone, sede da Renault, já se trabalha no túnel de vento e as geométricas do carro de 2011 foram definidas, como informa a própria montadora francesa no seu site.

Ainda existe uma certa indefinição quanto ao segundo piloto, mas tudo indica que a renovação de contrato para Petrov realmente ocorra, por motivos explicados logo acima.

Não seria exagero dizer que a Renault pode chegar a disputar uma vitória em alguns circuitos se o desenvolvimento dos projetos evoluir como em 2010, não acham?

16 respostas para “Renault: Kubica foi a estrela no ano da despedida”

  1. Tomás essa é a nova empresa Renault Sport F1, é uma empresa destinada à criação de motores e tecnologias para a categoria máxima do automobilismo, a montadora mudou seu foco na F1, e passa a ser apenas fornecedora de motores para as equipes.
    A nova sede será na cidade de Viry-Châtillon, na França.

    Carlos Ghosn, presidente da Renault:
    “2011 abre um novo capítulo em nosso envolvimento histórico com a F1. A conquista em 2010 com a Red Bull mostrou o potencial de nossos especialistas em motores em Viry-Châtillon e destaca a credibilidade da Renault como uma fornecedora de motores e tecnologias.”

    “A Renault vai ter uma abordagem proativa com as outras montadoras e corpos esportivos para melhorar em um dos principais desafios estratégicos desse nicho do esporte: desenvolver um motor com tecnologias que serão aplicadas na produção de veículos”.

    1. Sim, Felix, pois esta já é outra Renault dedicada a outras áreas.

      Já que a Renault não terá mais participação na Lotus Renault, apenas no fornecimento de motores. Mas o departamento técnico continua o mesmo, Boullier, Bob Bell, James Allison e etc.

      No momento a sede é em Enstone, da equipe de F1.

  2. Eu realmente não esperava que a Renault viesse forte do jeito que veio. Depois de 2009, com Alonso na equipe, era dificil imaginar isso de um time sem dinheiro, tendo um piloto pagante. Kubica mostrou que se tiver uma oportunidade de titulo, ele vai lutar até a ultima curva. Petrov tem sorte de ter dinheiro, se não era demitido no meio do ano, muito ruim.
    Com Kubica na sede da Reanult, Lotus, ou qualquer coisa, o carro de 2011 vai vim lutando por vitórias com certeza.(Não me arrisco a dizer o nome do carro, R31 é meio improvável)

    1. Talvez seja cedo para afirmar que a Renault lute por vitórias em 2011, é improvável afirmar pois não sabemos a linha de desenvolvimento ou como o carro está evoluindo no túnel de vento. Mas promete ser promissor.

      1. É. Lembrando que a Renault regrediu de 2006 para 2007, 2008 começou mal mas conseguiu evoluir e vencer e em 2009 foi um desastre. Agora novamente evoluiu, estou curioso para 2011.

  3. Sobre a Lotus de Tony Fernandes, foi por água abaixo o projeto do preto e ouro. Tony confirmou hoje via twitter que a Lotus vestirá verde e amarelo em 2011:

    “After lots of thought. The shareholders riad and mike have decided we will stay with green and yellow for next season. Silly to have 4 black and gold cars. With formula one going green what better to have green.”

  4. Não posso negar que a Renault foi uma grande surpresa. Eu tinha uma grande desconfiança quanto ao Eric Boullier, pois apesar da experiência frente a DAMS, talvez a F1 lhe fôsse bastante cruel. Mas devo admitir que ele geriu a equipe muito bem, inclusive demonstrando certa paciência com o Petrov em seu ano de noviciado (claro que paciência tem limite).
    No mais, o carro realmente surpreendeu, parece ser daqueles casos de “um carro bem nascido” e o Kubica é realmente um “fora de série”.

    1. Eric Boullier fez um ótimo trabalho e já tem futuro garantido em 2011, continuando como chefe de equipe, o que é ótimo para a sustentabilidade técnica da Renault.

    2. Luiz Arthur, não podemos esquecer que foi mérito do Russo dar o título para o motor Renault ao não deixar o Alonso com a Ferrari o ultrapassar.

  5. Ele foi muito bem mesmo. O carro desse ano, claro, foi melhor que o do ano passado, mas nada tira os meritos do polonês que somou pontos importantes para a equipe. Agora, como Lotus-Renault, espero que ele possa vencer uma corrida ao menos rsrs.

    1. Se este ano esteve a um passo de vencer na Austrália, a lógica é que com um carro melhor em alguns circuitos possa disputar a vitória. Resta saber como estarão o TOP 3 deste ano.

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