Mercedes: Rosberg superou as expectativas

Sem dúvida foi Nico Rosberg quem levou a Mercedes, em 2010, ao status de 4ª força entre as equipes, vencendo a batalha com a Renault, que não foi párea pois não conseguiu somar bons pontos com o novato Petrov. Fez um campeonato consistente, como reza seu estilo, e somou 142 dos 214 pontos da equipe conquistados na temporada.

A história da Mercedes que, interrompida em 1955, teve seu retorno neste ano comprando a famosa e simpática Brawn GP, que foi de Ross Brawn em 2009 e levou o título com Button, além do campeonato de construtores. A Mercedes comprou 75% do time de Ross, o mantendo como chefe de equipe e trazendo Norbert Haugh.

Com Button migrando para a McLaren e Barrichello para a Williams, Rosberg fez as malas do time de Grove para integrar o esquadrão alemão. A revelação seria o retorno de Michael Schumacher, saindo de 3 anos da aposentadoria e volta à F1 com 41 anos, na novíssima geração que acabou se confirmado com o título de Vettel, o campeão mais jovem da história. Nick Heidfeld, também alemão, completava a equipe como piloto de testes.

Os resultados, obviamente, não foram avassaladores como o da Brawn na temporada passada, que foram sustentados em grande parte pelo difusor duplo. Pois, apesar de ter Brawn como chefe, a equipe mudou e o carro precisou ser iniciado do zero, com outra dupla (de experiência e gostos distintos), o que acabou gerando divergimentos nos primeiros GPs.

No geral, foi uma temporada razoável, somando pontos em 18 das 19 provas, com o pico de 22 em Istambul, onde Schumacher foi 4º e Nico 5º.

O carro:


O W01 caiu como uma luva em Nico Rosberg no início, com o alemão marcando dois pódios nas primeiras 4 corridas e possuindo um ótimo ritmo de classificação. Mas como o status de primeiro piloto não é dele, e sim de Schumacher, foram as palavras do Kaiser que mais importaram a equipe- Michael não estava satisfeito com o carro.

A verdade é que Schumi estava sofrendo bastante com os pneus, relativamente diferentes dos raiados e mais largos da sua época na Ferrari. A (aparente) solução encontrada pelo departamento técnico foi alongar o entre-eixos do W01, na tentativa de melhorar a distribuição de peso, classificada como errada por Ross Brawn.

Por ironia, a mudança piorou pois das 7 classificações desde Montreal a Monza, Schumacher passou ao Q3 uma mísera vez, com um humilde 10º lugar em Silverstone. O câmbio foi péssimo para Rosberg também, que após chegar ao segundo posto depois dos dois pódios consecutivos no início, caiu de rendimento, salvando-se apenas com o pódio na Inglaterra.

A ideia é evoluir o carro para brigar, no mínimo, por mais pódios em 2011. E não tenhamos dúvidas que o W02 terá as características mais marcantes de Schumacher.

Estatísticas:

  • Pontos: 214 (80 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 3
  • Posição no campeonato: 4º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 16
  • Melhor posição de largada: 2º, Rosberg (Malásia)
  • Melhor posição de chegada: 3º, Rosberg (Malásia, China e Inglaterra)

Rosberg vs. Schumacher


O jovem e ainda promessa Nico Rosberg acabou por marcar o seu melhor ano na carreira- e não só pelos resultados. A bravura, mesmo com um carro modificado a favor de Schummy, de ter sido superior em um 90% do ano foi louvável. E é verdade, a reputação de Nico cresceu muito, apesar de ter sido ofuscada pelo novo alemão no topo, Vettel.

Marcou três pódios, prevalecendo 16 voltas na liderança e impondo um caminhão de 70 pontos para Schumacher. Além de ter superado as expectativas, já que no início do ano o coro era uníssono (ou quase) de que o massacre de Michael estava anunciado e terminado a temporada em alta com o 4º lugar em Abu Dhabi.

Já Schumacher é relativamente um exceção. Três anos de ausência, equipe, engenheiros e pessoal de trabalho diferentes, sem a Bridgestone desenvolver os pneus com a sua base e tendo que enfrentar a jovial geração que aos poucos vem chegando na F1.

Encontrou problemas no começou, que prontamente tentaram ser resolvidos pela Mercedes. Teve uma evolução digna na temporada, coletando um belo quarto posto na caótica corrida de Yeongam, em uma aula de pilotagem sobre o molhado. Passou ao Q3 nas últimas 5 corridas depois de uma má fase e classificou melhor que Rosberg nas duas finais.

Se Nico terminou bem, digamos que Schumacher finalizou igualmente em boa forma, principalmente pelos fatos ditos linhas acima. 2011 é o ano da sua redenção.

Estatísticas, Nico Rosberg:

  • Pontos: 142 (55 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 3
  • Posição no campeonato: 7º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 16
  • Melhor posição de largada: 2º, Malásia
  • Melhor posição de chegada: 3º, Malásia, China e Inglaterra

Estatísticas, Michael Schumacher:

  • Pontos: 72 (25 com o sistema de pontuação usado até 2009)
  • Vitórias: 0
  • Pole Positions: 0
  • Pódios: 0
  • Posição no campeonato: 9º
  • Voltas mais rápidas: 0
  • Voltas na liderança: 0
  • Melhor posição de largada: 5º, Turquia
  • Melhor posição de chegada: 4º, Espanha, Turquia e Coréia

Conclusão:

Depois do ano do retorno, a evolução para 2011 está anunciada, sem dúvidas. Fica claro que se a expectativa na enigmática figura que Schumacher é desde a década de 90 ao seu retorno era gigantesca e intrigante para 2010, ela tende a aumentar para o próximo ano, basicamente pelos motivos de que a Mercedes precisará trabalhar duro para dar um carro competitivo nas mãos de sua estrela, pois Schumacher não irá aguentar duas temporadas concecutivas com maus resultados.

Um desafio, e por outro lado inspiração, para os engenheiros em Brackley, na meta de levar sua dupla ao obstinado sucesso. Resta perguntar para vocês se apostam no ressurgimento do “alemão” em 2011…

21 respostas para “Mercedes: Rosberg superou as expectativas”

  1. Eu, e quase todo mundo, esperava um pouco, pra não dizer muito, mais da equipe. Vimos a Brawn ressurgir das cinzas, 7 palmos abaixo da terra, numa camisa de força em 2009, e com todas as vitórias e titulos, 2010 prometia muitos para eles. Porém o pessoal da Mercedes parece ter usado o mesmo carro do ano passado. Eles pararam no tempo. Fizeram uma das maiores burradas do ano nas equipes. Mudaram o carro para favorecer Schumacher, mas este nada estava fazendo, e nada continuou fazendo. Com um carro contrário ao seu modo, Rosberg também perdeu muito rendimento, assim a equipe se afundou de vez no ano.
    Nico nunca foi um grande piloto, ao meu ver. Mas este ano ele superou-se. Andou quase o ano todo na frente do heptacampeão, e conquistou 3 pódios, que nem ele esperava. Schumacher foi a maior decepção do ano, ao lado de seu “irmão” Massa. Nunca que imaginariamos Michael Schumacher andando tão atrás de seu companheiro de equipe, e muito menos cedendo posição para tal. Em 2011 acredito que ele melhore, não muita coisa, mas melhore.
    Pro ano que vem o time tem mais uma chance, com um novo regulamento, novas brechas surgirão, e Ross pode achá-las, e usá-las. Vejo vários pódios do time, e quem sabe uma ou outra vitória.

    1. O ponto que você toca nas “brechas” do regulamento é muito interessante Lucas.
      Tanto que ter tido a audácia e coragem de adotar uma solução do difusor duplo, encontrando brechas preciosas e ter continuado adiante com a ideia do projeto.

      A FIA não proibiu e a Brawn dominou completamente a primeira metade do campeonato, mas depois caiu devido que, ao passo que as outras equipes copiaram, Red Bull, McLaren e Ferrari chegaram às vitórias.

      Não sei até que ponto este regulamento técnico para 2011 dará a possibilidade de encontrar algo novo, onde você tenha a certeza que surgirá efeito e o principal- que esteja dentro das regras.

      Por isso mesmo creio que é interessante esse ponto, ver até onde vai a inteligência dos projetistas e engenheiros em achar algo novo.

      1. Se depender da interpretação do regulamento a Mercedes está bem dotada. Ross sabe muito na hora de encontrar soluções, como vimos em 2009, e tenho certeza que nos tempos de Ferrari também existiram.

  2. A questão é se a Mercedes, além de evoluir com relação às outras equipes, conseguirá fazer um carro que seja melhor para o Schumacher, sem que seja pior para o Rosberg.

    1. Isso é complicado. Rosberg e Schumacher tem estilos diferentes. A voz de Schumacher pesa mais dentro da equipe e isso foi claro com a mudança dos eixos no começo do ano, enquanto Rosberg estava na vice-liderança do campeonato.

      Se Nico consegui se estabelecer 70 pontos à frente de Michael, duvido que isso ocorra em 2011. Como vimos, a primeira pista para a próxima temporada foi dada com o teste dos pneus Pirelli- Schumacher aprovou e Nico disse que são piores e mais lentos.

  3. Acho que Schumacher deve ser um competidor mais duro para Rosberg em 2011, resta saber se a Mercedes ousará mais no projeto do carro para dar um salto em direção as Ponteiras. Ainda é cedo para palpites, veremos depois dos testes. Mas falando em ousadia, a Mclaren é a equipe que vem mais me agradando ultimamente. Um abç.

    1. O duto criado pela McLaren é um exemplo da sede por inovar e criar algo novo em Woking.
      Withmarsh vem dizendo ultimamente que o MP4-26 é inovador. Hamilton diz que o KERS deles é o melhor.

      Algo positivo deve estar a caminho.

  4. Acredito que Rosberg seja um bom piloto, mas na F1 não basta ser bom, tem que ser o melhor (the best), e isso ele nunca provou ser, pelo menos na minha opinião. Na temporada de 2011, creio que na Mercedes, as coisas vão se complicar mais prá ele, caso a equipe priorize Schumy e este conseguir andar bem, coisa que também ainda me deixa dúvidas, será que Schumy volta a velha forma?.

    1. Voltar a velha forma é algo praticamente impossível, principalmente pela idade. Ele mesmo admitiu estar enferrujado, e a beira dos 42 os reflexos já não são como em 2004, por exemplo. Mas a tendência é melhorar.

  5. Tomás, as vezes parece que eu marco um piloto, nesse caso penso que eu olho o Nico com olhos só de criticas.
    Na minha visão o Nico, foi um piloto sem sal, só levou o equipamento para as bandeiradas com o máximo que o equipamento permitia, até ai tudo bem, mais penso que a equipe esperava mais, ainda teve no seu curriculum a perda de uma vitória para a equipe Mercedes esse ano, quando rodou na liderança, muito parecida com outra que ele perdeu na Williams.

    1. Felix;

      Eu compartilho a sua opinião em certo ponto. Rosberg nunca fez o perfil de piloto show como Hamilton, não se destacou com esse perfil e não é o seu estilo.

      Mas, apesar se não ser favorável ao show, apesar de ser quase invisível nas corridas, na maioria das vezes está lá. Somando pontos, talvez algum pódio. No fim acaba se destacando por isso, mas não pelo seu modo de pilotar.

      A verdade é que superou as expectativas, isso sim, de que lhe eram depositadas no começo do ano.

      1. Não me sai da memória as vitórias autenticas de um grande piloto que foi confirmado como campeão esse ano, Vettel na sua primeira vitória, com um carro muito inferior, Senna também na primeira vitória e antes com uma Toleman quase vencendo em Mônaco, é nessas horas que o piloto mostra que pode sim fazer a diferença.
        Por enquanto o Nico só perdeu sua duas oportunidades e pode atrapalhar é seu companheiro em 2011.

  6. Não tenho dúvidas de que Ross Brawn será capaz de chefiar a construção de um excelente carro. Foi difícil desenvolver um bom carro porque a BrawnGP estava envolvida na briga pelo título e ainda sem o dinheiro da Mercedes, mas agora, com grana e pensando no carro há um bom tempo, devem vir melhor. Veja 2008, quando ele desistiu do carro da Honda no meio do ano e começou a desenvolver o RA109, que virou BGP-001.

    *Tomás, no blog o post sobre o GP de San Marino de 82, junto de Monaco e EUA 2005.

    1. Não há dúvidas que Ross Brawn é extremamente competente, ele já possui títulos de peso na carreira com pilotos diferentes. Está com Michael novamente, o que reata, pelo menos nos termos nostálgicos, os bons tempos na primeira metade da década.

  7. Rosberg chegou perto da vitória na China, se não me engano. Foi muito bem esse ano, fazendo inclusive uma bela ultrapassagem sobre Alguersuari no GP da Inglaterra. Não sei se ele superou as expectativas, porque é um bom piloto, mas talvez seja no sentido de superar por tantos pontos o ‘idolo’ Schumacher. Vamos ver ano que vem, espero vê-lo competitivo ainda. Abraços!

    1. Daniel, vale ressaltar, Rosberg seria o vencedor do GP da Coréia se Webber não tivesse rodado e supostamente não freado para tirar algum rival na luta pelo título. Se não tivesse batido, seria segundo, e depois com a quebra de Vettel, primeiro.

  8. Nico Rosberg teve atuações muito parecidas com as de Jenson Button, utilizando estratégias inteligentes e fazendo corridas burocráticas, sem arriscar demais nas disputas de pista, conseguiu somar vários pontos e alcanças boas colocações nos fins-de-semana.

    Mostrou muita regularidade e superou constantemente Michael Schumacher. No próximo ano, também acho que a Mercedes produzirá um carro para o estilo do alemão. Para a montadora das três pontas o desejo de ver Schumacher campeão, até pelo fato de ter bancado a carreira dele até chegar a Benetton.

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