Como a Argentina trata a Fórmula 1

O piloto argentino Esteban Tuero da Minardi no GP da Argentina de 1998.

Depois da boa dica do leitor Newton para falar sobre como é a cobertura da Fórmula 1 na Argentina, é bom refletir um pouco sobre um assunto interessante, ainda mais quando se vive em um país que a F1 não é um esporte que chame a atenção da mídia como no Brasil.

Exatamente por isso, as vezes é difícil dizer que a cobertura da Globo da Fórmula 1 é de baixa qualidade – comparando com a Argentina, é até demais.

Mesmo sabendo que existe o programa argentino”El Show de la Fórmula 1″, que é relativamente completo, as tranmissões são apenas pela TV a cabo – algo que por si só já diminiu (e muito) o público no país.

A explicação para a Argentina não passar a Fórmula 1 na Tv aberta é relativamente óbvia, mas há uma história política por trás disso.

Desde 2001 que o país não tem um representante na categoria – o último goi Gastón Mazzacane, pela Prost, mas que foi demitido por problemas com patrocinadores e substituído por Luciano Burti.

Até então a atenção dada era relativamente boa, mas após disso e com a forte crise econômica muitos fatores se complicaram para o bom andamento de um esporte tão caro.

A atenção aumentou novamente quando, com o enorme alarde em volta, foi anunciada a volta de um argentino para a F1 – Pechito López entrava ao circo pela USF1.

O “problema” foi que o governo fez parte do negócio injetando milhões em um projeto que faliu nas viagens de Pechito até Áustria para testar o simulador da equipe fantasma de Charlotte.

Com a derrota política do governo, a Tv pública, que antes passava as corridas em seu canal com duas horas de atraso, simplesmente a tirou da programação – como uma forma de rancor com o papelão nacional.

Depois disso, obviamente, se sondaram várias voltas de Pechito mas nenhuma se efetivou e a Fórmula 1 na Argentina parece voltar ao deserto que é a partir de 2001, infelizmente.

Enquanto isso a tv pública (Canal 7), investe no “Deporte para todos”, algo muito criticado pela oposição (2011 é ano de eleições), onde o futebol, basquete e tênis serão transmitidos grátis pelo canal – E de Fórmula 1, nada.

Em suma, sem um representante, com o circuito que já foi parte do calendário deteriorado e em um ano em que os votos são mais importantes do que outra coisa, a Fórmula 1 vai ficando bem atrás na atração nacional pelo esporte a motor…

20 respostas para “Como a Argentina trata a Fórmula 1”

  1. Podemos dizer que nós, os brasileiros, estamos em um ponto intermediário da mídia da F1. Não temos as fantásticas transmissões da BBC, mas temos algo melhor do que na Argentina e em outros países. Acho que a coisa só tende a piorar, pois não temos um título desde 1993, com Senna. E só temos um brasileiro com chances de título (minha opinião), o Massa, que não vem inspirando muita confiança desde o ano de 2009.

      1. Aqui no Brasil parace que o gosto pelo esporte a motor está crescendo nos últimos tempos começaram a passar na TV aberta várias categorias tipo: Fórmula Indy, Itaipava GT Brasil, Fórmula Truck, Stock Car e algumas corridas da GP2 (ou 3) brasileira.

      2. Inclusive, se não me engano, o último representante da Argentina na F1, Gastón Mazzacane, corre na Fórmula Truck do Brasil.

  2. Tomás, que depressiva a situação da F-1 na Argentina. O que me preocupa é que o Brasil tb não esta com um futuro tão garantido tb. Qdo Massa aposentar, ou for para uma equipe meia boca o negocio aqui não ficará bom. Vc sempre morou na Argentina ?

  3. meus caros amigos
    aqui em Portugal tambem não temos atualmente nenhum piloto na F1 e gostamos muito,
    aliás o Canal sport tv está muito bem apresentado com comentadores muito bons.
    Ás vezes fazem comentários o Tiago Monteiro (WTCC) e o Pedro Lamy quando estão em Portugal.
    Abraços fernando

  4. Triste a questão do esporte a motor na Argentina. Espero que os ânimos melhorem. Mas pelo menos, não se persistiu numa jogada de populismo como aconteceu na Venezuela!
    Um bom feriado a todos!

  5. Tomas, ficou feliz que a minha pergunta tenha levado você a refletir sôbre o tema. Eu deduzi, que assim como a Argentina não demonstra grande interesse pela FI., o mesmo deva ocorrer pelo resto da America do Sul, pelo menos nas conversas com alguns “gringos”, que conheci, o interesse deles parecia muito distante do nosso. Foi dai, que comecei a perceber, porque as empresas do Brasil, investem muito pouco ou nada na categoria. O Mercosul, por exemplo, possui paises membros, onde a FI., não tem a menor penetração, ou é restrita como você descreve a Argentina. Afinal, o nosso mercado exportador é na sua maioria de produtos in natura, o que deixa de lado marcas, portanto o mercado interessante para marcas ainda é o Mercosul, e como nessa fatia de mercado o interesse é muito restrito, não haveria o retorno desejado.

  6. Uma pena para um país que possui cinco títulos na categoria, com Juan Manuel Fangio, em um tempo bem mais perigoso que o atual.

    O Brasil, se não colocar em evidência um piloto de talento, corre o mesmo risco, pois diminuirá o interesse de patrocinadores e empresas em bancar o milionário mundo da Fórmula 1.

  7. tava conversando com meu pai esses dias e reclamei com ele porque ele nao me colocou no cart se tivesse colocado hoje eu estaria na formula 1 e ninguem precisava de preocupar com isso pois estaria na mclaren e o principal ganhando titulos para nosso pais,ele pensou no que eu falei e disse e mesmo douglas dei muita bobeira em nao ter feito isso antes vc seria o melhor.

  8. Acredito que, para médio-longo prazo, o maior “concorrente” da Formula 1 no Brasil é a própria Stock Car.
    O brasileiro que quiser chegar a F1, logo após o kart, precisa ir para a Europa se aventurar (algo caro). Aí precisa mostrar um talento enorme, além de sorte de chegar a boas equipes da F3 inglesa, por exemplo. Daí ter bons resultados e um excelente agente para levantar bons patrocinadores e chegar a uma GP2. Lá, ser campeão ou vice, com um patrocinador muito forte (e estrangeiro), para assim, talvez, chegar a F1.
    Já para chegar a StockCar, existem boas opções de categorias de base, a concorrência é menor do que aquela para se chegar a F1 e os patrocinadores brasileiros estão investindo nesta categoria. A grana investida aqui é 5x menor, a Globo transmite o nome do patrocinador e, convenhamos, é uma categoria muito bem organizada e interessante.

    Assim, se o piloto tem 16 anos e pensa em se tornar profissional, que caminho seria mais garantido para investir seus esforços??? STOCK! E daí diminui a quantidade de braisleiros chegando a F1, reduzindo assim nossas chances de títulos e o interesse do público (para médio-longo prazo).

    É uma concorrência saudável… mas é uma concorrência bastante real.

  9. Interessante, achei que tinha um apelo maior a F1 por aí. Em relação à transmissão, quem reclama da globo é porque nunca assistiu F1 nos canais americanos. Passa propaganda a cada 10min de corrida, não importa o que esteja acontecendo na pista. Não sou fã do Galvão mas aguentar os intervalos é triste…

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