
Se tem uma coisa que o fã de Fórmula 1 aprendeu com essa temporada, foi apreciar as entrelinhas.
Aprender a ver destaques expressivos que não envolvam:
Hino da Holanda
Touro vermelho
Energético
E Alexander Albon é o exemplo perfeito de potencialidade que a cada Grand Prix se destaca por ser o bom piloto que ninguém esperava que ele fosse. O piloto anglo-tailandês de 27 anos, vem entregando muito mais do que os fãs ou até mesmo a Williams poderia prever. E tudo isso, devemos destacar, fruto da sua paixão em voltar para a categoria.
Obstinação em forma de gente
Em abril do ano passado, Albon falou abertamente ao podcast Beyond the Grid sobre ter tido um plano para voltar à Fórmula 1. Depois de uma passagem infeliz pela Red Bull e por ter sido demitido da equipe, ele sabia que precisava organizar seu retorno e conquistar, mais uma vez, um assento em alguma equipe. Neste ano, para a plataforma The Players Tribute, ele resumiu muito bem a mentalidade que o impulsionou para o retorno na Williams:
“Em 2021, durante meu tempo fora [do grid], eu tive muito tempo para pensar. […] Eu pensava: ‘Eu preciso que as pessoas percebam, primeiramente o que eu fiz antes, mas também que o trabalho que eu fiz no ano anterior na Red Bull, não foi tão ruim assim.’ “
Albon então decidiu recorrer às estatísticas. Ele fez uma planilha no Excel (sim, no Excel), colocando uma comparação de tempo nas voltas, ritmo de corrida, classificação, ultrapassagens e mais, entre ele e colegas que ele substitiu, além de comparar tudo isso com pilotos que o substituíram. Muita determinação, né? Esse material foi apresentado para Jos Capito, ex-chefe de equipe da Williams, que recebeu Albon com “muita positividade”, disse ele.
E o resto é história.
“All Bom” em números
Fato é que Alexander Albon é um dos nomes que mais se destacou até agora, tanto em performance quanto em números. Ele soma 21 pontos no campeonato, ocupando o 13º lugar. Com o P7 que levou pra casa no último final de semana, ele ultrapassa a contagem de 16 pontos de George Russell em 2021 para se tornar o piloto da Williams com maior pontuação desde 2017.
Até aqui, ele pontuou no top10 cinco vezes: GP do Bahrein (P10), GP do Canadá (P7), da Grã-Bretanha (P8), Holanda (P8, apesar de merecer mais) e agora em Monza (P7). Fora as boas posições mesmo do Q2.
Vale lembrar que ano passado, com um dos piores carros do grid, ele também conseguiu mostrar desempenho como ninguém: sendo novato na equipe, demorou apenas três corridas para pontuar, enquanto Russell levou dois anos e meio para tal. Ou seja, é um destaque construído desde o dia 1 na Williams. Além disso, o jovem piloto sabe gerenciar pneus como ninguém. Quem lembra dele parando uma única vez no GP do Canadá esse ano? Ou manejando pneus como ninguém na Austrália, no ano passado?

Ele é visto & é lembrado
Com toda a boa forma sendo exibida numa temporada que já sabemos o final, é inevitável que os olhos não se voltem para ele. Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, sempre dá um jeito de elogiar o tailandês, assim como Helmut Marko. Durante as férias de verão da Fórmula 1, diversos portais já apontavam equipes interessadas em Alex Albon. Apesar disso, ele deixa claro: “Estou comprometido com a Williams pelos próximos anos.”
Seja na equipe britânica de Grove ou em qualquer outra, aqui entre nós, o rapaz já conseguiu o que queria: ser lembrado, se fazer ser notado.
O cara é bom, sabe que é bom e agora consegue mostrar o quão bom ele é. Alex All Bom é o nome dele!
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Brenda da Rosa é estudante de Jornalismo pela UFRGS e opinóloga profissional quando os assuntos são: Fórmula 1, Comunicação, Política, Comportamento e Negritudes.