
O tetracampeão Max Verstappen, da Red Bull, se recusou a responder qualquer pergunta na sua coletiva de imprensa no Japão desta quinta-feira caso Giles Richards, jornalista do The Guardian, não fosse embora.
Ao avistar Giles entre os jornalistas presentes, Max disse: “Não vou falar antes dele sair”. Giles respondeu: “Sério?” e Max: “Sim”
Ao ser perguntado pelo jornalista sobre qual o motivo dessa solicitação, Max disse que foi por causa de uma pergunta que Giles fez Abu Dhabi, no ano passado.
(A pergunta era se, após perder o campeonato por apenas dois pontos para Lando Norris, ele se arrependia do incidente com George Russell no GP da Espanha. Naquela ocasião, Max respondeu: “Você esquece todas as outras coisas que aconteceram na minha temporada. A única coisa que você menciona é Barcelona. Sabia que isso aconteceria. Está me dando um sorrisinho agora?”). Veja o vídeo AQUI (a partir de 5:42).
Voltando pro ocorrido hoje, após uma breve troca de perguntas e respostas sem chegarem a um entendimento, Max finalmente disse: “Saia daqui”.
O jornalista deixou a coletiva, Max sorriu e disse que agora sim a coletiva poderia começar.
Algumas horas depois, Giles falou sobre o ocorrido em um texto publicado no próprio The Guardian. Veja a íntegra:
“Considerando o contexto geral, desfruto de uma carreira extremamente privilegiada, sendo remunerado para cobrir a Fórmula 1, um esporte que amo, desde 1976.
Portanto, reluto em reclamar, mas fiquei profundamente decepcionado quando Max Verstappen optou por me expulsar de sua coletiva de imprensa na quinta-feira, no GP do Japão, por causa de uma pergunta feita no final de 2025.
Nosso primeiro encontro presencial em 2026 aconteceu em Suzuka, quando se revelou que o holandês tinha uma memória de elefante. Ao me ver, ele me encarou, sorriu e declarou que não falaria até que eu saísse. Em uma breve troca de palavras de 30 segundos, ele me mandou “sair” duas vezes. Nunca me pediram para sair de uma coletiva de imprensa. É uma ocorrência extremamente rara para um jornalista na F1, sendo que quase ninguém consegue se lembrar de mais de um ou dois casos.
Em mais de uma década cobrindo o esporte, entrevistei Verstappen talvez uma dúzia de vezes, todas elas de forma amigável e bem-humorada. Seu talento excepcional lhe rendeu elogios e admiração nesses artigos; as críticas, por outro lado, foram mínimas e apenas quando justificadas.
Um incidente no ano passado, no entanto, parece ter tocado em um ponto sensível. No GP da Espanha, Verstappen bateu na lateral do carro de George Russell, pelo qual foi punido com uma penalidade de 10 segundos. Isso o fez cair da quinta para a décima posição e lhe custou nove pontos. No final da temporada, após uma recuperação extraordinária (muito elogiada por mim) e alguma sorte, já que a McLaren perdeu pontos nas últimas corridas, Verstappen perdeu a chance de ser campeão por dois pontos.
Após a última corrida da temporada em Abu Dhabi, perguntei a ele como se sentia em relação ao incidente e se tinha algum arrependimento, uma pergunta que precisava ser feita. Verstappen se ofendeu e disse: “Você se esquece de todas as outras coisas que aconteceram na minha temporada. A única coisa que você menciona é Barcelona. Eu sabia que isso ia acontecer. Você está me dando um sorriso bobo agora”
Não tenho certeza se dei um sorriso bobo. Certamente fiquei surpreso com a veemência de sua resposta e isso pode ter provocado um sorriso nervoso. Mas não achei engraçado, nem estava me divertindo às suas custas.
E assim, chegamos à coletiva de imprensa no Japão de hoje. Depois de ser informado de que não falaria a menos que eu saísse, perguntei se era por causa da pergunta em Abu Dhabi. Ele disse que sim. Mais uma vez, fiquei surpreso. Talvez eu tenha esboçado um sorriso nervoso de novo, quem sabe? Perguntei se era por causa da pergunta sobre a Espanha em Abu Dhabi. Ele confirmou. “Você está mesmo tão chateado com isso?”, perguntei, ao que ele respondeu: “Sai daqui. É. Sai daqui.”
Com as ordens de partida recebidas, parti prontamente. Verstappen sorriu durante toda a conversa. Talvez estivesse simplesmente curtindo a dinâmica de poder? O dia continuou: Existem problemas muito mais sérios no mundo do que um piloto de F1 estar bravo com você.
Em duas horas, alguém rastreou meu e-mail. “Você é o problema. Você é o idiota tóxico responsável por toda a parcialidade britânica na F1. Você é o pior”, dizia a mensagem. Pelo menos, para um insulto, os apóstrofos estavam nos lugares certos. Não acessei o X e não pretendo fazê-lo.
Meus colegas da imprensa ficaram chocados e demonstraram preocupação com o meu bem-estar. “Sem classe”, disse um deles com um desprezo profundo pelo comportamento. Estou bem. Aliás, a parte mais desconfortável é escrever sobre isso em primeira pessoa. Um jornalista nunca quer ser o centro das atenções, mesmo que agora pareça inevitável.
O incidente e suas consequências são lamentáveis, principalmente pelas acusações de parcialidade. Ao longo dos anos, fui acusado de parcialidade contra Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e vários outros pilotos. Reportar com a maior honestidade e imparcialidade possível é sempre o objetivo principal.
Continuo admirando Verstappen e espero que possamos ter um relacionamento melhor no futuro. Às vezes, perguntas difíceis e incômodas precisam ser feitas. É o privilégio que vem com o trabalho”
Rodolpho Santos também comentou sobre o ocorrido: “A pergunta que o jornalista fez ao Max em Abu Dhabi (em 2025) foi se ele se ele achava que tinha perdido o título por causa do episódio em que ele jogou o carro em Russell no GP da Espanha. Uma pergunta que sim, fazia sentido em perguntar, goste Max ou não. E sim, aqueles pontos custaram caro no final.
Sabe qual era o correto ali na coletiva? TODOS OS JORNALISTAS se retirarem e deixarem o piloto sozinho. Sou piloto, exerço a função de jornalista e sou um grande admirador do talento e de muitas das posturas do Max, mas nessa ele está errado.
As entrevistas são parte do trabalho dele, faz parte do pacote de ser piloto de F1 e representar tantas marcas importantes que pagam a conta pra que tudo aconteça”.
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Até o momento, George Russel lidera o campeonato de pilotos (confira a tabela completa AQUI) e a Mercedes lidera o campeonato de construtores (confira a tabela completa AQUI).
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