
É com muita felicidade que anunciamos a estreia do nosso canal no YouTube! O nosso primeiro entrevistado é Sérgio Silva, preparador físico de Gabriel Bortoleto na F1.
Sérgio nos conta um pouco sobre a sua trajetória de sucesso, a preparação intensa, os sacrifícios e disciplina, a representatividade feminina nas pistas e suas metas para o futuro.Na estreia do nosso canal no YouTube, o preparador físico de Gabriel Bortoleto na F1, Sérgio Silva, revelou como construiu sua trajetória no automobilismo, além de desafios e objetivos para a temporada de 2026.
Confira a entrevista completa AQUI.
Trajetória de sucesso
Formado em 2006 e com raízes na ginástica artística, em que foi técnico do campeão mundial e olímpico Arthur Nory, Silva retornou ao esporte a motor em 2019. O convite surgiu na estrutura da KTF, por intermédio de Enzo Bortoleto, que pediu a ele que preparasse seu irmão mais novo, Gabriel, para a categoria FRECA.
A meta estabelecida pelo jovem piloto desde a primeira conversa era clara: chegar à Fórmula 1, um objetivo audacioso que pautou todo o planejamento físico construído pela dupla a partir daquele momento.
Preparação intensa
A preparação para suportar as extremas forças G nas pistas vai muito além do fortalecimento do pescoço, exigindo um trabalho isométrico intenso que envolve ombros, tríceps, antebraços e as mãos.
No entanto, o preparador destaca que o verdadeiro diferencial de um piloto de elite reside na capacidade cardiorrespiratória. A 200 km/h, uma respiração inadequada pode causar déficit de oxigênio no cérebro, resultando em perda de foco, frenagens incorretas e erros cruciais que muitas vezes culminam em rodadas na pista.
De acordo com o Sérgio Silva, ao iniciar esse condicionamento desde muito cedo no kart, Bortoleto construiu uma base sólida, semelhante à de campeões como Lewis Hamilton (Ferrari) e Max Verstappen (Red Bull), garantindo a resistência mental e física necessária para tomar decisões precisas sob pressão extrema.
Sacrifícios e disciplina
O caminho até o topo, contudo, é pavimentado por sacrifícios e uma disciplina que afasta o atleta de uma vida comum. Silva ressalta o impacto das constantes mudanças de fuso horário e do desgaste contínuo, revelando que pilotos de alto rendimento chegam a perder de três a cinco quilos de massa muscular durante uma temporada.
Para suportar esse tranco, as pré-temporadas no Brasil tornaram-se fundamentais. Enquanto outros jovens pilotos das categorias de base aproveitavam as festas de fim de ano para viajar e descansar, Bortoleto dedicava seus recessos inteiramente ao treinamento físico intenso, abrindo mão de datas como o Natal, Dias das Mães e inclusive os próprios aniversários, já que preparador e piloto celebram a data juntos, no dia 14 de outubro.
Representatividade feminina nas pistas
Além de detalhar o trabalho com Gabriel, Sérgio Silva também comentou sobre a presença feminina no esporte a motor e os desafios atuais de desenvolvimento dos carros. Para o especialista, não há qualquer barreira fisiológica ou diferença de tempo de reação que separe homens de mulheres na pilotagem de alto rendimento; o que falta, categoricamente, são oportunidades reais como pilotos de testes em grandes equipes da F1.
Metas para o futuro
Paralelamente, ao avaliar o cenário de transição de Bortoleto com a equipe Audi, o preparador adota um tom realista: embora os pilotos estejam entregando o máximo, o carro ainda está em fase de desenvolvimento e não atingiu os 100%. Contudo, ele garante que, assim que o equipamento for aprimorado, o desempenho de Gabriel trará grandes surpresas.
A consagração dessa parceria vitoriosa já está marcada na pele, simbolizada por uma aposta que resultou em uma tatuagem do “olhar do futuro” de Bortoleto no braço de Sérgio após as conquistas na F3 e F2.
Nathalia Tetzner é jornalista formada pela Unesp e trabalha com produção de conteúdo de Fórmula 1, audiovisual e cultura, unindo informação e narrativa para diferentes plataformas.