O que 2022 reserva para a Fórmula 1?

Ano passado, o holandês Max Verstappen consagrou-se campeão com a Red Bull, em uma das temporadas mais disputadas da história da Fórmula 1. Durante 2021, os fãs do esporte viveram várias emoções, acompanhando a disputa acirrada entre Verstappen e Hamilton pelo título. Foram diversas trocas entre os dois na liderança do mundial e batalhas na pista com direito a toques agressivos e a batida que rendeu uma das imagens da temporada no GP de Monza com um monoposto em cima do outro.

No entanto, mesmo com o mundial de pilotos do holândes e o oitavo título de construtores consecutivo da Mercedes – equipe de Lewis Hamilton- é difícil dizer se a disputa deste ano se manterá apenas entre essas duas equipes e seus pilotos. Uma série de mudanças nos regulamentos faz com que 2022 chegue com novos carros na Fórmula 1.

Afinal, o que muda nos carros?

O design dos carros é completamente diferente nesta temporada, com os novos regulamentos de aerodinâmica entrando em vigor. No formato atual, quem está atrás sofre perdas significativas de potência causadas pelo “dirty air”, o ar turbulento criado pelo carro. Dessa forma quanto mais perto um monoposto está do outro, mais dificuldades de controlar o carro são encontradas pelo piloto que tenta ultrapassar e mais potência ele perde.

A nova geração dos carros traz um design “mais limpo” do que os fãs estão acostumados. A principal mudança está no formato dos aerofólios, a asa dianteira poderá conter até quatro elementos e a traseira apresenta um formato mais curvilíneo, menos parecido com uma caixa como o atual. Os assoalhos dos carros também mudam e passarão a ter os chamados “túneis venturi” para compensar a perda de pressão aerodinâmica com a mudança no formato das asas.

Dessa forma passa a ser ele um dos principais geradores de downforce, enquanto os novos aerofólios serão responsáveis por dissipar o ar turbulento pelas laterais. De acordo com os gráficos divulgados pela F1, hoje a diminuição da potência a uma distância de 10m do carro a frente é de 46%, com o novo modelo ela diminui para 18%.

Em entrevista para a revista britânica AutoSport, Stefano Domenicali, CEO da categoria, acredita que é possível esperar que o talento individual dos pilotos fique ainda mais evidente neste ano com as novas mudanças. “Os carros de efeito solo foram projetados para destacar o talento dos pilotos. São máquinas que devem ser acionadas, mas sem o efeito de esteira que deteriora os pneus. O objetivo é promover disputas entre muitos pilotos, mas sem ter os limites relacionados ao carro”.

Com os carros podendo andar mais pertos uns dos outros sem sofrer tantos efeitos negativos torna-se possível esperar mais ultrapassagens durante as corridas.

“Next Year I turn 18”

Outra alteração visível será o “crescimento” dos pneus dos monopostos. Com o slogan “Next year I turn 18” (próximo ano eu faço 18, em tradução livre) a Pirelli anunciou para este 2022 pneus aro 18 polegadas, ao invés das 13 polegadas atuais. De acordo com a própria fabricante em seu site, os novos pneus tem mais consistência e menos sobreaquecimento. Além de tornar a mudança de direção na pista mais precisa, a aposta da Pirelli é que o pneu maior dure mais tempo na pista.

E quanto às Sprint Races?

Modelo de classificação testado em três etapas no ano passado, a Sprint Race segue no calendário da temporada de 2022. Três etapas irão receber a corrida este ano: Emilia-Romagna, Áustria e Interlagos.

Com as novas atualizações, se a expectativa de um campeonato com mais ultrapassagens se tornar realidade, talvez seja possível ver Sprint Races com mais emoção como a que marcou o GP São Paulo em 2021.

Mais diversidade no grid

Alguns pilotos trocaram de time ou saíram do grid: A Alfa Romeo vem para 2022 com uma dupla completamente nova: No lugar de Räikkönen e Giovinazzi, entram Valtteri Bottas, ex- Mercedes, e Guanyu Zhou, novato vice-campeão da Fórmula 2.

A atual campeã Mercedes correrá com Lewis Hamilton e George Russell, que correu em 2021 com a Williams. Já a Williams escolheu Alex Albon para ocupar o lugar de Russell.

Com todas as trocas, a F1 contará com quatro pilotos não-brancos no grid: Lewis Hamilton, Yuki Tsunoda, Alex Albon e Guanyu Zhou, que se torna o primeiro chinês a competir na categoria.

Nem tudo são flores…

Se por um lado a Fórmula 1 promete inovações de outro, a categoria é alvo de críticas dos fãs e por vezes também dos seus pilotos.

O calendário desta temporada contará com 23 etapas, sendo que em alguns momentos quatro corridas acontecerão no mesmo mês. Um calendário mais cheio a cada ano gera mais exaustão sobre as equipes que muitas vezes precisam correr contra o tempo quando duas ou mais corridas seguidas acontecem.

Inclusive, no passado, a MotorSport.com publicou uma matéria que mostra o efeito brutal de um calendário extenso sobre os mecânicos. Em um trecho, um deles (que não se identifica), chega a dizer que muitas vezes companheiros de profissão precisam recorrer ao uso de analgésicos ou álcool para aguentar as duras jornadas de trabalho. Em um esporte sempre atrelado ao dinheiro, ele também expôs a estagnação dos salários.

“A pressão de tudo isso, além do cansaço criado pelo número de corridas e as rodadas triplas chegaram a um ponto em que a atmosfera nas garagens pode ficar muito tóxica.” afirma.

Além da quantidade corridas, o local onde elas são feitas também é uma questão criticável na categoria. Em 2021 aconteceram etapas em países criticados por homofobia e desrespeito aos direitos humanos, e em 2022 alguns deles se mantêm no calendário. Uma delas acontece na Arábia Saudita, país onde as mulheres só foram permitidas a dirigir em 2018.

Em recente entrevista ao New York Times, o tetracampeão Sebastian Vettel criticou essa atitude da categoria. “Acho que de certa forma é errado irmos correr em certos países, pois, se você tem moral, apenas diz não. Mas financeiramente, claro, é um enorme incentivo para a F1”.

O alemão classificou como impuro o dinheiro recebido através das corridas nesses locais. Em 2021, além das entrevistas, Vettel também se posicionou dentro das pistas. No GP da Hungria ele usou camiseta e máscaras com as cores da bandeira LGTBQIA+, que sofre com medidas do governo no país.

2022 reserva um ano repleto de mudanças na Fórmula 1, a maioria delas relacionada à mecânica dos carros, como já pudemos ver desde a apresentação das equipes até os testes pré-temporada. Mas, além de mais ultrapassagens e corridas emocionantes, o desejo dos fãs do esporte e de alguns de seus pilotos é que a categoria olhe também para o seu lado político e social, fazendo valer o “We race as One”.


Aline Fatima tem 23 anos, é formada em jornalismo e escolheu seguir a profissão assistindo sua primeira temporada de F1 em 2008 (sim, é completamente viúva de 2008 e acredita que o Massa merecia o título). Atualmente no Marketing Digital, sonha com o dia de trabalhar com suas duas paixões: Jornalismo e F1.

Um comentário em “O que 2022 reserva para a Fórmula 1?

  1. Sabe informar se teremos novos lotes de venda de ingressos da F1 GP SP 2022? Sempre são mais em conta que os revendedores, claro. Poderia dizer se sabe algo sobre… previsão de segundo lote.. se dá certo… etc etc

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