Os dois extremos da Ferrari no GP da Austrália

A sorte se mostrou presente para apenas um dos pilotos da Ferrari, enquanto Charles Leclerc dominou a corrida do início ao fim, Carlos Sainz se viu fora da prova logo nas primeiras voltas

A Fórmula 1 voltou para a Austrália depois de 1.100 dias sem ação no Circuito de Albert Park, por conta das restrições pela pandemia da Covid-19, e trouxe uma dose de adrenalina ao público australiano, que estava ansioso para ver os carros na pista.

A Ferrari vinha para mostrar porque é vista como uma das favoritas ao título de 2022. A consistência da equipe de Maranello é demonstrada desde os testes da pré-temporada, foi comprovada pela dobradinha de Leclerc e Sainz logo na primeira corrida do ano no Bahrein, e nos dois pódios de segundo e terceiro lugares conquistados na etapa da Arábia Saudita. Eles tinham tudo para repetir o feito e continuar com 100% de aproveitamento neste início de temporada. 

Durante a primeira sessão de treino livre na sexta, Sainz fez o melhor tempo com Leclerc logo atrás dele com uma diferença de apenas 0.57 segundos. No segundo treino livre, Verstappen se colocou entre as duas Ferraris, e dessa vez, Charles fez o melhor tempo com Carlos vindo em terceiro e colado no carro da Red Bull. Mostrando que a Ferrari vinha para lutar pelas primeiras posições e pressionar a equipe austríaca mais uma vez. 

Foi no terceiro treino livre, antes da classificação no sábado, que o cenário mudou um pouco. Lando Norris, da McLaren, que vem tentando superar as expectativas após um começo de temporada difícil, surpreendeu ao fazer o melhor tempo do dia. Mas, Charles Leclerc quase encostou nele com uma diferença de 0.132 segundos. Carlos Sainz terminou a sessão em quinto, mas a distância do líder era de apenas de 0.302 segundos. 

A sorte pareceu desfavorecer um pouco Sainz durante a classificatória. Ele vinha para fechar uma boa volta, após sofrer com alguns problemas no volante e sair um pouco tardiamente do box da equipe, quando uma bandeira vermelha causada por Fernando Alonso, fez o tempo do piloto da Ferrari não ser computado. Depois disso, Sainz não conseguiu melhorar e fechou a classificação apenas em nono lugar. Um lugar frustrante para o espanhol, considerando as últimas posições da qual largou. 

Diferente do companheiro de equipe, Leclerc fechou uma volta extraordinária e cravou a sua décima primeira pole position da carreira, com o tempo de 1:17.868. Atrás do monegasco estavam as duas Red Bulls, de Verstappen e Perez, respectivamente, que iriam fazer de tudo para conquistar uma posição mais alta e garantir bons pontos para a sua equipe. 

A Ferrari trabalharia com duas estratégias: a de conseguir segurar Charles em primeiro lugar e garantir mais uma vitória para o time; e de fazer Carlos escalar o pelotão que tinha à sua frente, e marcar pontos importantes. 

A largada de Charles foi boa e bem pensada, ele conseguia segurar as investidas de Verstappen, logo abrindo uma diferença dos demais pilotos. O mesmo não pôde ser dito de Carlos. Com a troca do volante faltando menos de um minuto para a volta de apresentação, após o mesmo problema da classificação aparecer, o equipamento não estava preparado para as configurações de largada, o mapa do motor estava errado e Sainz conta que o carro “soluçou” nas duas largadas. Como resultado, o espanhol acabou caindo para décimo quarto.  

Frustrado e tentando seguir em frente, ele rodou na curva 9-10 na segunda volta, acabou ficando preso na brita e precisou abandonar a prova. 

Sobre o ocorrido, Sainz declarou que este era um final de semana para se esquecer. “O fim de semana inteiro foi ruim”, disse em entrevista ao jornal Marca. “É difícil aceitar isso. Eu estava com pressa para me recuperar e talvez por isso eu tenha cometido o erro. De qualquer forma, precisamos ser perfeitos, e esse fim de semana saiu tudo do avesso”. A desistência quebrou a sua sequência de 17 corridas na zona de pontuação.

Com apenas um carro na pista, a Ferrari precisava fazer de tudo para conquistar o máximo de pontos possíveis com Leclerc, para manter o primeiro lugar no Campeonato de Construtores. Mas, o monegasco nem precisou se preocupar enquanto dominava as curvas de Albert Park volta após volta. Nem mesmo os dois Safety Cars — um causado pela retirada do carro de Sainz e outro pela batida de Sebastian Vettel na volta 24 — foram capazes de ameaçar a liderança do atual líder do campeonato. 

Durante as duas relargadas, Charles conseguiu segurar as investidas Max e abrir vantagem. Com o abandono de Verstappen na volta 39, após um problema mecânico e um princípio de incêndio, Leclerc conseguiu abrir uma diferença de vinte segundos do outro carro da Red Bull de Sergio Perez, que vinha logo atrás e se consagrou campeão do Grande Prêmio da Austrália. 

Em Melbourne, Charles — considerado o melhor piloto do dia — também conquistou o seu primeiro Grand Chelem, levando em uma única etapa a pole position, a vitória, a volta mais rápida e liderou todas as voltas da corrida. Ele integra um seleto grupo de pilotos a ter tal feito e é apenas o segundo da Ferrari nos últimos 18 anos a conseguir isso. O último foi Fernando Alonso em 2010, no Grande Prêmio de Singapura.  

Leclerc se demonstrou satisfeito em como sua corrida ocorreu. “Que grande vitória foi para nós”, declarou ele. “O carro estava simplesmente fantástico (…) É uma ótima maneira de começar a temporada, mas temos que ter em mente que temos apenas três corridas em um campeonato muito longo. Não podemos nos dar ao luxo de relaxar a qualquer momento e temos que ficar por dentro das coisas, principalmente no desenvolvimento.” 

Com a dominância na Austrália, Leclerc continua como líder do campeonato com 71 pontos e abre uma diferença de 34 pontos para o segundo colocado, que passa a ser George Russell, da Mercedes, após a conquista de seu primeiro pódio pela nova equipe. Carlos Sainz cai para terceiro e se mantém com 33 pontos. A Ferrari continua no topo na tabela dos construtores, com uma diferença de 39 pontos da Mercedes. 

Em duas semanas, a Fórmula 1 desembarca em Ímola, para o Grande Prêmio de Emília-Romanha, e a Ferrari tentará trazer mais alegria aos tifosi em solo italiano. 

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Larissa Gambirazi é natural da cidade de São Paulo e desde pequena sempre foi apaixonada por ouvir e contar boas histórias, através destas duas paixões decidiu qual carreira gostaria seguir. Atualmente, é formada em Jornalismo, especialista em Jornalismo Esportivo e apaixonada pelo automobilismo. 

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