Qual é a importância da confiança no carro e do relacionamento entre pilotos para o sucesso da equipe?

Está no ar a primeira coluna “F1 em linhas rápidas”. E, para começar, uso uma fala de Fernando Alonso em uma entrevista à TV inglesa BBC, onde o piloto espanhol falou sobre a temporada de Lewis Hamilton e exaltou a grandeza do piloto inglês. “(Lewis) Dominou o esporte e quebrou todos os recordes, conseguiu 103 pole-positions”. Alonso completou dizendo que “o piloto é muito importante na Fórmula 1, mas não é essencial”.

Pegando o gancho da última fala do Príncipe das Astúrias, podemos dizer que, dentre os esportes individuais, a Fórmula 1 é o mais coletivo. O erro de um mecânico na troca dos pneus, pode custar a vitória e comprometer a corrida de um piloto, por melhor que ele seja. Um erro de cálculo do estrategista pode colocar tudo a perder. Um carro mal planejado pode colocar em jogo toda a temporada.

Outro ponto importante para a garantia do resultado, é a soma Piloto + Carro. Um piloto talentoso a bordo de um carro rápido é uma chave para o sucesso, porém, basta uma parcela desta soma não funcionar perfeitamente para colocar tudo a perder. Um exemplo recente que comprova essa teoria é a temporada 2020 que George Russell realizou.

Pela Williams, Russell bateu na trave e não conseguiu pontuar. Obteve um 11º lugar como melhor resultado na corrida da Toscana. Para a largada, não conseguiu passar para o Q3, tendo também um 11º lugar como melhor posição no Grande Prêmio da Estíria. Na mesma temporada, correu pela Mercedes substituindo Lewis Hamilton, largou na primeira fila no Sakhir, e só não venceu a corrida por erros crassos na estratégia da equipe.

O resultado da temporada 2021 é fruto da soma da parcela “Equipe” nessa equação. O 2º piloto da Red Bull, Sergio Pérez, foi uma peça fundamental para que Verstappen se tornasse campeão, sempre defendendo o piloto holandês de todos os ataques de Hamilton, que estava com um instinto assassino para vencer o oitavo título, quinto consecutivo.

Pelo lado da Mercedes, Valtteri Bottas não teve um desempenho parecido, quando Lewis precisava que alguém o defendesse, não tinha a mesma segurança que seu concorrente, porém, o piloto finlandês, que contou com alguns empurrões de Toto Wolff em algumas oportunidades, fez o suficiente para garantir o título de construtores para a equipe alemã.

O jogo de equipes é importante para a manutenção do Mundial de Pilotos, mas pode ser prejudicial em casos como o que aconteceu na Áustria em 2002, quando Barrichello deixou Schumacher passar na reta final da prova – em uma mácula na história da Fórmula 1 – o clima entre em toda a equipe muda. 

O espírito de equipe é importante, mas o time pode ter problemas caso o piloto não tenha esse espírito ou sinta que está sendo desfavorecido em algumas ordens da equipe. Foi o que aconteceu com a Red Bull em 2013, na Malásia, quando o então tricampeão, Sebastian Vettel recebeu ordens que diziam para manter a ordem dos pilotos, Mark Webber em primeiro e Vettel em segundo. Porém, o piloto alemão não obedeceu a ordem, atacou Webber, assumiu a liderança e venceu a corrida. O que abalou de vez a relação entre os dois pilotos. No final da corrida, o piloto australiano ainda disse: “Seb desrespeitou as ordens e tomou suas próprias decisões. (…) Ele terá proteção como sempre. É assim que funciona”.

Acredito que estamos próximos de vivenciar um novo capítulo de conflito de interesses em uma mesma equipe. Essa equipe? Red Bull. Durante a etapa da Espanha no último domingo (22), Perez recebeu ordens da equipe que diziam para que, caso Max chegasse no mexicano, para que ele deixasse o holandês passar. Checo respondeu que isso era muito injusto, mas acabou acatando a ordem. Na entrevista antes de subir ao pódio disse que estava feliz pelo time, mas que iriam conversar depois.

Resta agora saber como a equipe irá contornar a situação. Se existe algo que pode prejudicar a temporada da equipe austríaca, é essa gestão de pilotos.

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Marcelo Freitas tem 20 anos e é estudante que atualmente está no 3º período de jornalismo. É, também, um fã de Fórmula 1 da “Geração Drive to Survive” mas que gosta de estudar sobre o passado para tentar prever possíveis cenários do futuro da categoria.

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