GP da Bélgica tem futuro incerto e corrida sem pontuação é uma solução

O Grande Prêmio da Bélgica, no lendário circuito de Spa Francorchamps, está no último ano de contrato e pode ficar de fora do calendário de 2023. Para que o circuito não seja abandonado pela Fórmula 1, algumas alternativas de manter o autódromo no calendário estão surgindo. Uma delas é deixar o Grande Prêmio como uma corrida que não tenha pontos válidos para o campeonato e que seja disputada pelos Rookies, ou, num belo português, “estreantes”.

Uma corrida que não vale pontos para o campeonato pode parecer loucura para um fã mais jovem. Porém, entre os anos de 1950 e 1983 essas etapas eram comuns, tendo, inclusive, temporadas com mais etapas fora do campeonato que as oficiais.

As etapas eram disputadas, em sua imensa maioria, pelos mesmos pilotos que competiam no mundial e ocorriam em vários países, alguns deles já não recebem mais a Fórmula 1 – como Argentina e Marrocos, por exemplo.

Em 72 e 74, curiosamente nos mesmos anos em que Emerson Fittipaldi foi campeão, o Brasil recebeu corridas fora do campeonato. Em 72, na primeira vez que o circo da Fórmula 1 pisou em terras tupiniquins, o argentino Carlos Reutemann saiu vitorioso. Os brasileiros que disputaram foram Wilson Fittipaldi, que subiu ao pódio com um 3º lugar, Luiz Bueno, concluindo a corrida em 6º, e Emerson Fittipaldi, que abandonou na volta 32 de 37 programadas, com problemas na suspensão de sua Lotus.

Já em 74, Brasília recebeu a Fórmula 1 na inauguração do autódromo da capital, hoje chamado de “Autódromo Nelson Piquet”, no Grande Prêmio Presidente Emílio Médici. Essa foi a única vez que carros de fórmula 1 correram em uma cidade diferente de Rio e São Paulo. A corrida contou com a vitória de Emerson Fittipaldi que dividiu o pódio com Jody Scheckter e Arturo Merzario. Entre os outros brasileiros, Wilson Fittipaldi terminou a corrida na 5ª posição e Carlos Pace não concluiu a prova.

Uma curiosidade sobre essa corrida é que o tricampeão da categoria, Nelson Piquet, com 22 anos na época, trabalhou nos boxes da equipe Brabham com o carro do argentino Carlos Reutemann, a fim de se familiarizar com o ambiente da Fórmula 1 e seguir seus objetivos no automobilismo.

Sete anos depois, em 1981, Piquet conquistou seu primeiro título com um único ponto de diferença para o segundo colocado, Reutemann. Após o resultado final do campeonato, o piloto argentino disse uma frase que ficaria eternizada: “Perdi para o garoto que um dia limpou as rodas do meu carro”.

Voltando para os dias atuais, uma etapa extra campeonato com pilotos jovens das equipes pode ser um caminho para um futuro mais justo na categoria. Essa oportunidade a mais dada aos pilotos pode mostrar quem está mais preparado para assumir uma vaga nas equipes e faz com que o novato chegue mais preparado para a categoria principal e sinta menos a pressão que os pilotos sofrem ao chegar nas equipes.

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Marcelo Freitas tem 20 anos e é estudante que atualmente está no 3º período de jornalismo. É, também, um fã de Fórmula 1 da “Geração Drive to Survive” mas que gosta de estudar sobre o passado para tentar prever possíveis cenários do futuro da categoria.

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