
Kimi Antonelli, da Mercedes, venceu o Grande Prêmio do Japão com mais de 12 segundos de vantagem e se tornou o piloto mais jovem a liderar o campeonato mundial de Fórmula 1 em toda a história da categoria. O feito histórico aconteceu na madrugada de domingo (29), durante o terceiro fim de semana de corrida da temporada de 2026, realizado em Suzuka.
Resumo da corrida

O Grande Prêmio do Japão, disputado em 53 voltas, teve um início marcado pelo contraste de desempenho entre as equipes. Enquanto a dupla da Mercedes apresentou dificuldades na largada, Oscar Piastri (McLaren) assumiu a liderança, seguido por Charles Leclerc (Ferrari) e Lando Norris (McLaren). Nesses metros iniciais, Gabriel Bortoleto (Audi) perdeu quatro posições e Kimi Antonelli caiu para sexto.
Com um ótimo desempenho do seu carro, a recuperação da Mercedes começou cedo, com George Russell alcançando a segunda colocação na quarta volta. Na sequência, Russell chegou a tomar a liderança de Piastri, mas sofreu o revide imediato. No meio do pelotão, Antonelli recuperou posições e ultrapassou Norris na volta 12, travando uma disputa direta com Leclerc pela terceira posição na volta 15. Paralelamente, Max Verstappen reportou problemas na direção hidráulica, mantendo-se fora da disputa pelas primeiras posições durante todo o GP.

A janela de paradas nos boxes foi usada na volta 19 pela maioria do grid, que optou pela estratégia de parada única para troca de pneus. George Russell entrou nos boxes na volta 21, deixando a liderança momentânea com Kimi Antonelli. Porém, o cenário da prova mudou logo na volta seguinte, quando Oliver Bearman (Haas) colidiu com a barreira de proteção após disputa com Franco Colapinto, provocando a entrada do Safety Car, o que favoreceu os pilotos que ainda não haviam parado, incluindo o líder Antonelli.
A relargada ocorreu na volta 28. Nela, Lewis Hamilton (Ferrari) superou Russell pela terceira posição, enquanto Lance Stroll (Aston Martin) abandonou a prova nos boxes devido a problemas mecânicos na volta 31. Nas dez voltas finais, a disputa pelo pódio se intensificou. Charles Leclerc avançou sobre as Mercedes, superando Russell e Hamilton para assumir o terceiro lugar na volta 42.
Ainda nas últimas passagens, as posições sofreram constantes alterações. George Russell retomou momentaneamente o terceiro lugar de Leclerc na volta 51, mas o monegasco recuperou a posição em seguida. Lando Norris também progrediu, consolidando a ultrapassagem sobre Hamilton pela quinta colocação na volta 52. Sem ser ameaçado após a relargada, Kimi Antonelli cruzou a linha de chegada com uma vantagem de 12 segundos para o segundo colocado e se tornou o piloto mais jovem da história a liderar o campeonato mundial de Fórmula 1.
Acidente de Oliver Bearman

O acidente de Oliver Bearman na volta 21 do Grande Prêmio do Japão expôs uma vulnerabilidade crítica nos novos regulamentos de motores de 2026. A colisão ocorreu na curva Spoon, quando Bearman se aproximou de Franco Colapinto com uma diferença de velocidade acentuada; enquanto o piloto da Alpine desacelerou para tentar recarregar as baterias, o britânico da Haas estava em fase de entrega total de potência elétrica. O impacto resultante, registrado em 50G contra a barreira de proteção, destruiu uma placa de sinalização e deixou o piloto mancando, embora exames de raio-X tenham descartado fraturas.
A gravidade do episódio motivou críticas imediatas do piloto da Williams Carlos Sainz, diretor da GPDA (Associação de Pilotos), que afirmou que os alertas de segurança sobre a disparidade de velocidade entre os carros em pista vinham sendo ignorados pela federação. Segundo Sainz, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) havia optado por ajustar as regras apenas para as sessões de classificação, negligenciando os riscos inerentes às disputas diretas durante a corrida, onde o gerenciamento de energia varia drasticamente entre os competidores.
Em resposta oficial, a FIA emitiu um comunicado esclarecendo que as atuais regulamentações foram desenhadas com parâmetros flexíveis justamente para permitir ajustes baseados em dados reais. A entidade defendeu que qualquer alteração estrutural no gerenciamento de energia exige simulações detalhadas e que o plano estabelecido entre as equipes e fabricantes sempre previu uma revisão técnica somente após a conclusão da fase inicial da temporada. A federação reiterou que a análise do acidente de Bearman servirá como base para otimizar os sistemas e garantir a segurança nas próximas etapas.
Declarações

Após a vitória histórica no Grande Prêmio do Japão, Kimi Antonelli comentou o fato de se tornar o líder mais jovem da história do mundial. O piloto italiano minimizou o peso da tabela no momento, afirmando que “é muito cedo para pensar no campeonato, mas estamos no caminho certo”. Sobre o desenrolar da prova, Antonelli admitiu uma falha inicial, pontuando que “na corrida, tive uma largada terrível e preciso verificar o que aconteceu”, mas destacou que a sorte e o desempenho subsequente foram determinantes: “tive sorte com o Safety Car para assumir a liderança, mas depois o ritmo foi simplesmente incrível. Me senti muito bem com o carro no segundo stint“, disse o novato.
Oscar Piastri, que terminou na segunda colocação, lamentou a interrupção provocada pelo carro de segurança, que alterou a dinâmica da disputa com a Mercedes. “Seria muito interessante ver o que teria acontecido sem o Safety Car. Acho que eu conseguiria manter George atrás e, pouco antes das paradas, estávamos abrindo um pouco de vantagem novamente”, avaliou o australiano. Apesar da frustração momentânea, Piastri ressaltou a evolução da McLaren ao dizer que “estarmos decepcionados com um segundo lugar é um sinal de que estamos em uma posição muito boa”, embora tenha reconhecido que a equipe ainda precisa buscar mais performance.
Charles Leclerc, que completou o pódio em terceiro lugar, descreveu a prova como um desafio físico e estratégico, especialmente após o tempo perdido durante a neutralização da pista. “Foi uma corrida suada. Obviamente, tivemos um pouco de azar com o Safety Car e, a partir daquele momento, eu sabia que estava em desvantagem, especialmente em comparação com Kimi e Lewis”, explicou o monegasco. Leclerc revelou surpresa com a durabilidade de seus compostos, afirmando que “os pneus estavam muito bons e não foi uma desvantagem tão grande quanto eu pensava”, o que permitiu sustentar a posição contra a pressão final de Russell.

Fernando Alonso (Aston Martin), criticou, novamente, a natureza técnica das atuais unidades de potência e seu impacto na pilotagem em circuitos de alta velocidade. O bicampeão explicou que o gerenciamento de energia alterou a abordagem nas sessões, afirmando que “as curvas rápidas se tornaram pontos para recarregar energia do carro”. Segundo o espanhol, o foco mudou da performance pura para a eficiência elétrica, já que os pilotos agora precisam reduzir a velocidade para garantir que as baterias estejam prontas para os trechos de aceleração máxima.
Para Alonso, essa dinâmica compromete o purismo do esporte e o diferencial técnico de quem está ao volante. “Com isso, a habilidade do piloto não é mais necessária. Basta soltar o acelerador ou desconectar a bateria para recarregá-la”, desabafou o piloto da Aston Martin. Ele ressaltou que a necessidade constante de poupar energia remove a essência das pistas clássicas, concluindo que, sob as atuais regras, “não há mais desafios em curvas de alta velocidade”, disse o espanhol.
Resultado

Campeonato de Pilotos
| PILOTO | PONTOS | |
| 1 | Kimi Antonelli (Mercedes) | 72 |
| 2 | George Russell (Mercedes) | 63 |
| 3 | Charles Leclerc (Ferrari) | 49 |
| 4 | Lewis Hamilton (Ferrari) | 41 |
| 5 | Lando Norris (Mclaren) | 25 |
| 6 | Oscar Piastri (McLaren) | 21 |
| 7 | Oliver Bearman (Haas) | 17 |
| 8 | Pierre Gasly (Alpine) | 15 |
| 9 | Max Verstappen (Red Bull) | 12 |
| 10 | Liam Lawson (Racing Bulls) | 10 |
| 11 | Arvid Lindblad (Racing Bulls) | 4 |
| 12 | Isack Hadjar (Red Bull) | 4 |
| 13 | Gabriel Bortoleto (Audi) | 2 |
| 14 | Carlos Sainz (Williams) | 2 |
| 15 | Esteban Ocon (Haas) | 1 |
| 16 | Franco Colapinto (Alpine) | 1 |
Campeonato de Equipes
| Equipe | Pontos | |
| 1 | MERCEDES | 135 |
| 2 | FERRARI | 90 |
| 3 | MCLAREN | 46 |
| 4 | HAAS | 18 |
| 5 | ALPINE | 16 |
| 6 | RED BULL | 16 |
| 7 | RACING BULLS | 14 |
| 8 | AUDI | 2 |
| 9 | WILLIAMS | 2 |
Após o cancelamento do GP do Bahrein e do GP da Arábia Saudita (por causa do conflito no Oriente Médio), a F1 retorna apenas em maio, com o GP de Miami. Até lá!
Nathalia Tetzner é jornalista formada pela Unesp e trabalha com produção de conteúdo de Fórmula 1, audiovisual e cultura, unindo informação e narrativa para diferentes plataformas.