Ainda há espaço para o machismo na Fórmula 1?

A fala do chefe de equipe da Red Bull refletiu um estereótipo datado sobre quem torce pelo esporte (Foto: GettyImages)

“Você tem que lembrar que eles (Netflix) estão fazendo uma série também, mas o que isso fez para o esporte é fenomenal. A F1 está atraindo uma geração nova. Está atraindo muitas garotas novas por causa desses pilotos jovens e bonitos.”. Não, essa frase não foi dita no século passado. Essa frase foi dita no atual ano de 2022 pelo chefe de equipe da Red Bull, Christian Horner.

Já conhecido por conceder declarações polêmicas quando está do lado de fora das pistas, dessa vez, a fala de Horner até mesmo desconcertou a apresentadora da talkSPORT, Laura Woods, que o refutou: “Eu acho que talvez algumas dessas garotas novas que estão assistindo não estão somente inspiradas pelos pilotos bonitos, mas talvez inspiradas em se tornarem pilotas.”. Fato é que a explicação de Horner para o aumento do número de mulheres envolvidas com o esporte, expressa algo maior que ele e a Fórmula 1, o machismo.

Vítimas de assédio nas arquibancadas de Interlagos e desprovidas das mesmas oportunidades para integrar o automobilismo como um todo, as mulheres ainda são minoria no universo das corridas. ‘Ainda’ porque mesmo que as últimas décadas tenham contado com a crescente presença feminina – incluindo a organização de uma corrida de kart para pilotas da Arábia Saudita pelo tetracampeão Sebastian Vettel – comportamentos e atitudes machistas ainda são reproduzidos pelo ‘alto escalão’ do esporte.

Em uma tentativa de consertar o erro que cometeu, Christian Horner se retratou afirmando que a sua própria filha, uma adolescente de 15 anos, passou a se interessar pela F1 graças ao Drive To Survive. 

Cobertos por capacetes enquanto dirigem em velocidades altíssimas, é difícil imaginar que tipo de garota assistiria horas e horas de corrida apenas pela sua atração por um piloto bonito e jovem que mal dá as caras sem o seu uniforme. 

Antes mesmo do seu início, a temporada de 2022 já demonstra que o falatório fora da pista irá continuar em alto e bom som. Porém, a revolta de grande parte das torcedoras nas redes sociais torna nítido que a maior presença de mulheres que consomem Fórmula 1 também faz questão de combater o machismo no esporte. 

Se ainda há espaço para o machismo na F1? A resposta é não. Não há mais espaço para falas carregadas de um estereótipo datado como a de Horner.


Nathalia Tetzner é estudante de Jornalismo e ama escrever sobre quase tudo. Seja debatendo cultura ou analisando Fórmula 1, ela sempre carrega consigo um senso crítico e social.

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