A corrida de mulheres pretas por representatividade

Stephanie Travers

“A pessoa mais desrespeitada do mundo é a mulher negra”. A frase de uma postagem do astro da NBA LeBron James, feita em 2020 em sua conta do Twitter, exprime a ideia que a sociedade e principalmente a representatividade feminina, tanto no meio do automobilismo, quanto fora, nunca incluiu a mulher preta. De 9 mulheres que trabalham nas equipes que pisaram no pódio, houve apenas uma mulher preta que recebeu o troféu.

A mulher preta é a que mais sofre na questão da desigualdade no mundo. No Brasil, apenas 8% mulheres negras brasileiras ocupam cargos de destaque em empresas, como indica nas pesquisas realizadas pela consultoria “Indique Uma Preta” e pela empresa “Box1824”.

A presença de mulheres no automobilismo existe, no entanto, ela é branca. Tendo como exemplo, a W Series que é uma categoria 100% feminina, porém com uma escassez de representatividade. Em sua maioria são pilotas brancas, milhares de meninas pretas como eu, não se sentem representadas pela competição. Parcelas da população celebram a grande presença feminina nesse meio, porém são majoritariamente brancas, apenas observe as fotos das equipes, no grid, nas áreas de comunicação, quantas mulheres pretas veremos, de modo geral, nenhuma.

Mesmo com as adversidades, ainda há resistência de mulheres pretas no automobilismo. A primeira mulher negra a ser pilota profissional foi a norte-americana Cheryl Linn Glass, que aos 18 anos foi nomeada novata do ano, pela Northwest Sprint Car Association, categoria de sprint car do noroeste dos Estados Unidos. “The Lady”, como ela era chamada, tinha o sonho de disputar as 500 milhas de Indianápolis e posteriormente chegar à Fórmula 1, no entanto a sua carreira terminou cedo, devido a lesões.

Além de Cheryl, em outras categorias, já tivemos mais mulheres pretas buscando o seu espaço. Como por exemplo, Shauntia “Tia” Latrice Norfleet, que foi a primeira a ter uma licença para pilotar na NASCAR, categoria de stock car dos Estados Unidos, Brehanna Daniels a primeira a fazer parte da equipe de pit stops da mesma categoria, a engenheira de fluidos da equipe Mercedes Stephanie Travers, primeira a subir no pódio da Fórmula 1 no GP da Estíria (2020) e Naomi Schiff primeira, até então, que pilotou na W Series, que atualmente é embaixadora da Diversidade e Inclusão na organização.

Shauntia “Tia” Latrice Norfleet
Brehanna Daniels
Stephanie Travers e Lewis Hamilton no GP da Estíria (2020)
Naomi Schiff

Em 71 anos de Fórmula 1, nunca houve um incentivo a partir da competição para uma inclusão de mulheres não brancas. Apenas nos anos de 2020 e 2021, a Mercedes e a Comissão Hamilton iniciaram uma série de ações para haver mais diversidade no grid, uma delas, a parceria com um colégio feminino britânico. A Brehanna, mencionada no último parágrafo, foi recrutada da faculdade pelo programa de inserção “Drive for Diversity” (Pilote pela Diversidade) da NASCAR, em 2016.

Esperamos que em um futuro bem próximo, diversas organizações sigam os exemplos da NASCAR, da Mercedes e da Comissão Hamilton na luta pela diversidade, por um esporte com mais inclusão. Que Cheryl, Shauntia, Brehanna, Stephanie não sejam as únicas que pisaram em suas respectivas categorias e que meninas pretas sejam tratadas com respeito, do mesmo modo que suas ancestrais, como rainhas.

Joyce Rodrigues é uma carioca de 19 anos, que está cursando o primeiro período de jornalismo. Ama escrever sobre esportes. A Fórmula 1 é uma das suas maiores paixões desde os seus 14 anos.

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