Ferrari tem o melhor início de temporada em quase 20 anos

Desde 2004, a escuderia de Maranello não começava um campeonato tão bem em nível de performance, desenvolvimento, pódios e pontos  

A corrida da Arábia Saudita foi o Grande Prêmio dos “quases” para a Ferrari, e, principalmente, para Charles Leclerc. O monegasco quase conseguiu a pole position e quase conquistou mais uma vitória para a sua carreira. Esses resultados não tiram o mérito e o bom desempenho dos pilotos e da equipe, que fazem um início de temporada muito promissor na Fórmula 1. Isso não acontecia desde 2004.  

A Ferrari pode não ter conseguido a segunda vitória consecutiva em Jeddah, apesar de ter sido por pouco. No entanto, a equipe italiana não está desesperada, afinal, o Grande Prêmio da Arábia Saudita foi apenas a segunda etapa de um longo campeonato que eles ainda têm pela frente. 

A equipe vermelha veio para consagrar mais um final de semana incrível e repetir os resultados do Grande Prêmio do Bahrein. Charles Leclerc foi o piloto mais rápido durante os três treinos livres, tendo sempre Max Verstappen, da Red Bull, encostado nele por uma diferença menor de um segundo. Enquanto o piloto espanhol da Ferrari, Carlos Sainz, enquadrou dois quartos melhores tempos durante a primeira e terceira sessões, e ainda levou um P3 no segundo treino livre.

Durante a classificação no sábado, a pole position chegou a estar nas mãos de Leclerc, mas no último minuto, ela foi para Sergio “Checo” Perez, que levou a sua primeira pole position da carreira, sendo a primeira vez que um piloto mexicano conquistou tal feito. A diferença entre Charles e Checo era de apenas 0.25 segundos. 

Se a primeira fila era composta por uma Red Bull e uma Ferrari, a segunda fila não seria diferente. Carlos Sainz vinha para largar em terceiro e ao seu lado estava Max Verstappen, que sonhava com a primeira vitória na nova temporada. Para conseguir isso, Verstappen teria que passar pelo espanhol e o monegasco da Ferrari, que gostariam de repetir os resultados da primeira corrida do ano. 

O bom desempenho na corrida para as duas equipes seria baseado em boas estratégias, que deveriam prever possíveis bandeiras amarelas, a entrada de Safety Cars e bandeiras vermelhas, uma vez que o circuito sinuoso da Arábia é conhecido por alguns imprevistos e acidentes. 

Parecia que Leclerc iria fazer o oposto do que Perez fazia na corrida, quando a primeira janela para as trocas dos pneus foi aberta. Foi o rádio da equipe italiana, na volta 16, chamando por seu piloto para o box, que fez a Red Bull também chamar o líder da corrida. Mas, a Ferrari usou o “blefe” para deixar que apenas Checo fosse para os boxes, fazendo assim, Charles assumir a primeira posição. 

Essa foi uma boa jogada da Ferrari, que ainda foi beneficiada com a bandeira amarela e o Virtual Safety Car, causado pela batida do carro da Williams de Nicholas Latifi na mesma volta. Isso era tudo o que Sergio Perez não queria e a sua equipe não conseguiu prever. O prejuízo foi ainda maior para o mexicano quando o Safety Car entrou na pista e as equipes aproveitam para chamar os seus pilotos para a troca de pneus.

Leclerc assumiu a liderança depois de parar sob o primeiro Safety Car. Com a vantagem, o atual líder do campeonato parecia estar cruzando para a sua segunda vitória consecutiva. Porém, ele ainda tinha Max Verstappen em seus retrovisores. Sainz vinha em terceiro, após Perez ter que ceder a posição para ele por ordens da equipe. As posições dos quatro primeiros colocados parecia um déjà vu do que aconteceu no Grande Prêmio do Bahrein, antes de os carros da Red Bull terem que abandonar a prova.  

Os dois primeiros colocados faziam voltas rápidas atrás de voltas rápidas. Sempre que Max cravava o melhor tempo, Charles ia e o tomava do piloto da Red Bull, mostrando que aquela batalha pelo ponto extra poderia continuar até o final. 

Sainz continuava na terceira posição com mais de dois segundos de diferença de Perez, mas ciente que o carro 11 estava à espreita para recuperar o lugar no pódio.

Foi na volta 37 que um segundo Virtual Safety Car foi necessário, quando os carros de Daniel Ricciardo e Fernando Alonso perderam potência e os motores apagaram, não dando a chance dos pilotos da McLaren e da Alpine chegarem aos boxes. 

Com a saída do Virtual Safety Car, Verstappen foi capaz de se aproximar de Leclerc, e lançando ataque após ataque, o piloto da Red Bull conseguiu quebrar a defesa firme do carro da Ferrari, assumindo a liderança. Uma bandeira amarela tardia, desencadeada por um acidente entre Alex Albon e Lance Stroll — na qual o carro da Williams precisou ser retirado da pista — comprometeu os esforços de Leclerc para ultrapassar Verstappen no final da corrida.

 Essa foi a segunda batalha roda a roda com Verstappen e foi levada até a bandeira quadriculada, onde o neerlandês obteve a vitória no Grande Prêmio da Arábia Saudita, e Charles ficou com o segundo lugar com uma diferença de apenas 0.5 segundos. Um show a parte entre os pilotos que lutaram com determinação pelo lugar mais alto no pódio. 

Apesar de frustrado, Charles disse que realmente gostou da corrida e da batalha com Max. “Mais uma vez foi uma corrida difícil, mas justa. Toda corrida deveria ser assim. Foi divertido”, declarou.  

Completando o pódio, Carlos Sainz ficou com o terceiro lugar. Foi a primeira vez que os dois carros da Ferrari subiram em corridas consecutivas no pódio desde 2019. 

Carlos pareceu estar satisfeito e explicou que sente que está mais perto de tirar todo o potencial que o F1-75 tem a oferecer, após o que chamou de um começo “azarado”. “Senti que hoje demos um pequeno passo na direção certa. Enquanto ainda não estou 100 por cento com o carro, continuar trazendo pontos e pódios é importante até que eu volte a 100 por cento, e então será hora de se juntar a esses caras no topo para a luta por vitórias”, disse ele.  

Com a Austrália no horizonte e marcada para acontecer entre os dias 8 e 10 de abril, a Ferrari continua na liderança do campeonato com 78 pontos e uma diferença de 40 pontos da segunda colocada, que é a Mercedes. 

Charles Leclerc, que já marcou mais pódios em 2022 do que em 2021, também permanece como líder do Campeonato Mundial de Pilotos com 45 pontos. Enquanto Carlos Sainz, vem logo atrás com 12 pontos a menos. O alto desempenho da escuderia de Maranello, neste início de temporada, mostra que ela está determinada a disputar o título mundial deste ano. 

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Larissa Gambirazi é natural da cidade de São Paulo e desde pequena sempre foi apaixonada por ouvir e contar boas histórias, através destas duas paixões decidiu qual carreira gostaria seguir. Atualmente, é formada em Jornalismo, especialista em Jornalismo Esportivo e apaixonada pelo automobilismo. 

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