Mônaco: Tirar ou manter no calendário?

Mistura de tradição e desafios, o circuito de Mônaco é o mais histórico dentro da Fórmula 1, não à toa, é mais velho que a própria categoria e forma, junto com as 24 horas de Le Mans e 500 milhas de Indianápolis, a tríplice coroa do automobilismo. Mesmo assim, com o contrato entre a Fórmula 1 e o Automobile Club de Mônaco se encerrando, a polêmica sobre sua permanência no calendário vem à tona.

O circuito de Mônaco tem enfrentado alguns problemas nos bastidores que alimentam a polêmica. Em um cenário onde várias outras etapas estão sendo confirmadas para as próximas temporadas da categoria, provas que pagam pouco, tem difícil acesso ou que pedem muito desconto para a renovação do contrato, estão perdendo a preferência.

Para a Fórmula 1 chegar até um determinado país, este deve pagar uma taxa anual de 20 milhões de dólares (em alguns casos até mais) e Mônaco não paga essa taxa, pelo menos não diretamente. O governo do principado cobra uma tarifa para que os humildes donos de iate possam atracar seus barcos na marina e parte deste dinheiro vai para o pagamento da categoria. Mesmo assim, esse valor nem se aproxima do pago pelos outros países.

Além dos bastidores, os próprios fãs do esporte se dividem quando o assunto é a permanência ou a retirada do circuito do calendário. Para alguns, as ruas do principado são sinônimo de Fórmula 1, caso Mônaco saia do calendário, uma parte da categoria morre. Para outros, o circuito promove uma procissão, uma corrida morna e sem emoções. Outros ainda dizem que a solução para agradar ambos lados seria alterar o traçado.

De fato, para quem gosta de uma corrida com mais ultrapassagens, acaba se tornando uma etapa monótona, mas, para agradar a todos os gostos, está rolando uma proposta de alteração no circuito, uma mudança na saída do túnel que acaba gerando mais um ponto de ultrapassagem.

O trecho em questão é uma avenida de mão dupla, mas o circuito abrange apenas uma mão. A proposta é tirar o canteiro central que existe nessa avenida, alargar a pista e permitir mais ultrapassagens naquele setor. Seria uma boa solução para quem gosta de uma corrida mais movimentada e ainda assim agradar quem defende a permanência do principado no calendário.

Porém, essa solução é um tanto quanto impopular para os monegascos. Enquanto o príncipe de Mônaco quer que a Fórmula 1 siga em seu território, a população local alega que as árvores do canteiro são históricas e não podem ser simplesmente cortadas para dar espaço aos carros.

Uma verdade é que as ruas do principado se tornaram impraticáveis para os carros que são obrigados, por regulamento, a ter um tamanho maior. No passado, com carros menores, o circuito já era apertado, mas ainda permitia algumas ultrapassagens. Conforme o tempo foi passando, as ruas do principado passaram a ficar estreitas para a categoria.

As últimas corridas se tornaram verdadeiras procissões mas, na minha não tão humilde opinião, são necessárias para a categoria. O fato das ruas serem estreitas faz com que as sessões de classificação se tornem mais importantes para o resultado final, porém, a corrida se torna um desafio que separa as crianças dos adultos. É lá onde os pilotos devem demonstrar toda a habilidade e paciência para fazer curvas de baixa velocidade e esperar o momento e o lugar certo para atacar o adversário e não carimbar o guardrail.

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Marcelo Freitas tem 20 anos e é estudante que atualmente está no 3º período de jornalismo. É, também, um fã de Fórmula 1 da “Geração Drive to Survive” mas que gosta de estudar sobre o passado para tentar prever possíveis cenários do futuro da categoria.

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